domingo, 4 de abril de 2010

Quarta Etapa: Samos - Portomarin

Distância: 34 Km













Já estou na Galiza. Noto uma diferença nos preços de Castilla y Leon para a Galiza, aqui são mais baratos. Acabou-se a neve e o tempo começou a melhorar gradualmente, já não uso o impermeável e percorro campos verdes, bosques com ribeiros, pequenas cachoeiras, aldeias semi-abandonadas com galinhas e esterco de vaca na rua. É a Galiza profunda de campos roliços a perderem-se na lonjura do horizonte.

Sérgio, Nestor e Luís são três rapazes Galegos com quem partilho esta manhã de caminhada.

- Se queres conhecer bem a Galiza tens de ir às suas aldeias.

São de Pontevedra e pela primeira vez estão a fazer um caminho de Santiago.

- Compramos roupa muito barata para este caminho.

No Cebreiro chegaram muito tarde ao albergue e já não havia lugar para eles, tiveram que dormir ao relento, encostadinhos uns aos outros, abrigados no alpendre de uma igreja. O pior de tudo não foi a neve nem o frio, foram as gotas de água que cairam regularmente do telhado durante toda a noite.

A nós junta-se Luciana, Brasileira do Rio de Janeiro que vive há muitos anos em Barcelona, onde trabalha como gestora num hospital. Pela primeira vez nos últimos dias estou a falar Português sem ser por telefone.

Em Sarria lanchamos juntos e depois cada qual seguiu o seu caminho ao seu ritmo. Peregrino não empata peregrino!

Em Portomarin lavo mais alguma roupa e espremo-a à mão. As lavandarias têm sido um ponto de encontro interessante para conhecer peregrinos.

Dois tipos conversam um com o outro, são Americanos e rapidamente entro na conversa.

Vivem na Holanda e são do South Dakota

- Nunca deves ter ouvido falar.
Vêm com as mulheres e as filhas adolescentes e mais alguns amigos. Um grupo numeroso que mais tarde encontro a jantar no mesmo restaurante.

Um deles diz-me para não ter pressa que a etapa de amanhã será muito bonita.

Parece que não me consigo livrar dos vícios diários de ter pressa, de ter que andar sempre a pensar em alguma coisa para fazer e que não consigo usufruir a paisagem devidamente. Penso que quanto mais cedo acabar a etapa melhor e depois no que tenho que fazer quando chegar, se vou arranjar dormida no primeiro albergue que encontrar, se vou poder lavar roupa, se vai haver onde comer ou comprar comida, se vou poder ter alguma privacidade …tem havido sempre uma preocupaçãozinha a roer-me o espírito.

- Temos que aprender a viajar. Eu ainda não aprendi – respondo-lhe.

Os momentos em que me consigo abstrair de todas as questões materiais talvez sejam os melhores de todos.


A Galiza profunda





2 comentários:

Catarina disse...

Esse passeio é um espanto! Fico a aguardar os textos. Adoro conhecer lugares novos!

David Levy disse...

É tudo tão bonito. E tem tudo um ar clean.

Abraço