domingo, 24 de setembro de 2017

Bioria em Bicicleta (novamente)

Uma bicicleta numa estrada de terra e campos em redor dá sempre uma fotografia bonita. 

Pedalei ao calhas pelos circuitos do Bioria de Estarreja. O começo foi junto à estação de comboio de Salreu.  Saindo na linha 2, tem-se que atravessar  a linha férrea para o outro lado pelo passadiço aéreo. Em alternativa pode-se pedalar em direção à nacional 109 e depois virar à esquerda, quando surgem as placas de sinalização do Bioria.  
Do outro lado, a poente da linha, há uma estrada de terra batida paralela a ela com setas de madeira indicando a direção e a distância a que fica o começo de alguns circuitos do BioRia: O Bocage e o rio Jardim para sul, o esteiro de Salreu e o percurso do rio Antuã para Norte. Segui em direção ao Bocage, circuito que já conhecia. Reparei nas novidades e aparelhos ao longo de percurso para atividades mais radicais e no  BioRace chalenge.
Foi comum encontrar alguns pescadores nos esteiros.  Completei rapidamente o percurso do Bocage. Creio que nesta zona, o Bocage, o Rio Jardim e o   Percurso de Fermelã intersetam-se, junto ao açude, contudo faltam placas que indiquem claramente qual é qual. Segui mais para sul, convencido que estava a entrar no percurso de Fermelã, já o tinha realizado anteriormente e pareceu-me familiar aquele troço, mas devido à falta de sinalização não tinha a certeza. Seria interessante colocar nesta zona umas placazitas orientadoras, em bicicleta circula-se facilmente por estes troços e julgo que num dia inteiro se conseguiriam percorrer todos estes caminhos do Bioria, daí a necessidade de ser mais rigoroso nestas interseções. Comecei a ouvir tiros e voltei para trás com vontade de me dirigir ao centro de interpretação denunciar a situação: é um sítio protegido, não é sábado, nem domingo, os dias de caça oficiais, por que raio anda um tipo aos tiros a por em risco pessoas que só querem pedalar e caminhar em paz em contacto com a natureza? Mas por ser Domingo ou talvez por já passar das quatro estava fechado.
O centro de interpretação está instalado num novo edifício, uma casa recuperada junto ao cais do esteiro. O local em geral está mais cuidado, as margens foram melhoradas e colocadas nas proximidades mais estruturas de apoio para práticas desportivas, algumas temporariamente talvez, para o BioRace challenge.  Segui o percurso de Salreu, pedalei com pressa para fugir da chuva, o céu estava cada vez mais carregado. Reparei em algumas garças-cinzentas, nunca as tinha visto assim tão próximas e mais de uma, em contrapartida não vi tantas cegonhas-brancas como habitualmente. Uma levantou voo do sapal e voou imponente para outro local.
Começou  a chuviscar e mais tarde a chover intensamente. Já depois de sair do comboio, apanhei uma grande molha no regresso a casa. A partir de certa altura só havia silêncio na estrada e chuva miudinha. Até que pedalar com chuva não foi desagradável de todo.
 
Uma das estruturas para o BioRace Challenge, percurso do Bocage

Uma novidade junto ao centro de interpretação

Percurso de Salreu

Percurso de Salreu, Apesar do céu sombrio via-se com muita nitidez o recorte  da serra do Caramulo e das serras de Arouca.

Percurso do Salreu

O novo Centro de Interpretação

A estação da Salreu, vazia e silenciosa, antes da chuva. 



sábado, 26 de agosto de 2017

Caminhos do Xisto da Lousã: PR2 Rota das Aldeias do Xisto


O PR2 da Lousã é um percurso circular que liga o castelo à aldeia tradicional de xisto do Talasnal. Demos continuidade ao PR1, realizado ontem e descrito na entrada anterior deste blogue. Portanto, quando  iniciamos o trilho, tínhamos já 2 km nas pernas, correspondentes à caminhada efetuada desde o centro da vila da Lousã até ao castelo,  pelo PR1.
Começamos o PR2 junto às placas de sinalização na capela do senhor dos Aflitos. Seguimos em direção à central hidroelétrica da Ermida por um trilho de terra batida, largo e um pouco poeirento, para permitir a passagem de automóveis até à central. As vistas são muito interessantes, a partir de certa altura começam-se a ver o castelo e as ermidas abaixo de nós e as panorâmicas são muito abrangentes desta encosta da serra. É pena que esta parte esteja cheia de acácias, autênticas bombas relógio incendiárias. Na aproximação à central hidroelétrica começa-se a ouvir o ladrar de um cão feroz que guarda o edifício, felizmente está separado do caminho por uma grade, mesmo assim é um pouco melindroso.  Creio que também é neste local, ou muito próximo, que se encontra a escadaria de acesso à pequena ermida, visível durante uma parte significativa deste troço da caminhada. Mas não tentamos descobrir o acesso, o ladrar arrepiante do cão afugentou-nos.
A partir deste ponto o trilho torna-se bastante ingreme e estreito, é uma caminhada extenuante até ao Talasnal, exige algum esforço e preparação física. A vegetação torna-se mais variada e surgem as espécies mais comuns desta região, os carvalhos, sobreiros, castanheiros e medronheiros, que fazem a riqueza natural da serra e servem de base à muita doçaria e produtos típicos daqui. Começam a surgir pequenos muros de xisto e velhas paredes que ruíram, indícios que a aldeia está próxima e assim é, mais um pouco e estamos dentro da aldeia, a calcorrear as lajes de xisto. Tudo é de xisto. Muitas casas foram recuperadas e são alugadas. Há pequenas lojas de comércio e tascas que vendem muito artesanato e produtos típicos e indicações de trilhos até outras aldeias de xisto da serra: Chiqueiros, Casalnovo, Candal,...  Na casa da eira há um espetáculo de marionetas marcado para esta tarde. Informam-nos que  a aldeia já não tem habitantes permanentemente e que o melhor regresso é pelo PR4, assim fizemos. À saída viramos à esquerda e seguimos por um trilho estreito, frondoso e rodeado pelas espécies mais características e endémicas da serra, um deslumbramento. Em alguns pontos as vistas são muito desafogadas e começamos a ver a aldeia atrás de nós, alcantilada na encosta. Infelizmente, ao aproximarmo-nos do castelo estamos novamente rodeados de acácias. Chegamos a um crucifixo de pedra, já no perímetro do castelo e das ermidas, onde encontramos outros trilhos. Não sabemos qual é o correto, mas não há problema, a partir daqui é fácil, é só seguir um deles em direção ao castelo.
Depois entroncamos no PR1, não há nenhuma indicação na sinalização que este é o PR1, sabia porque fi-lo na véspera e a partir daqui seguimos até ao centro da Lousã.
O total dos dois trilhos tem uma distância de cerca de 10 km e 6 horas de caminhada, com muitas paragens.

Painel do trilho, junto à capela do senhor dos Aflitos

Início do trilho, estrada larga e poeirenta

As vistas desafogadas do castelo e da encosta norte da serra

O trilho após a central hiroelétrica da ermida, mais estreito, íngreme e bonito. Mas bastante mais cansativo.

Os muros de xisto vão-se tornando mais frequentes à medida que nos aproximamos da aldeia

É por este outro trilho  que faremos o regresso ao castelo, antes, porém, impõe-se a chegada e visita ao Talasnal

Aspetos do Talasnal, outros trilhos que podem ser feitos a partir da aldeia

A eira


A saída da aldeia por uma estrada de xisto em direção ao castelo

O Talasnal na encosta da serra

A ermida que dá nome à central hidroelétrica, agora do outro lado do trilho

Muitas acácias antes do castelo

O castelo e as ermidas lá em baixo

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Caminhos do Xisto da Lousã: PR1 Rota dos Moinhos


O Percurso tem o seu início junto à Câmara Municipal da Lousã e do pelourinho. As primeiras centenas de metros desenrolam-se dentro da área urbana da vila, uma oportunidade para apreciar a arquitetura tradicional e os belos edifícios brasonados que se nos apresentam.
A primeira evidência é que o trajeto está muitíssimo bem sinalizado, nota-se que as cores são recentes e as marcas do PR1 são constantes, não havendo hipóteses de engano.
A partir da fábrica de papel do prado, uma das mais antigas do país, senão a mais antiga, começa a terra batida. O percurso é fácil, limpo e seguro, contudo a exigir cuidados. Do lado direito, paralelo ao trilho, segue a levada que fornece a fábrica do papel, por vezes no fundo de uma ravina. Após os primeiros passadiços e ponte de madeira sobre a Ribeira de São João, seca nesta altura do ano, neste local, o caminho bifurca. Optei por não passar a ponte e seguir junto ao riacho quase seco, saltitando de um lado para outro das margens, encontrando os moinhos abandonados, degradados e invadidos pela vegetação, que dão nome a este pequeno trilho. Contei uns cinco ou seis. CUIDADO: No inverno e em épocas chuvosas a ribeira de São João pode galgar as margens e tornar extremamente perigosa a realização do trilho, existe o risco de enxurrada, aliás este aviso está indicado no painel de inicio do percurso junto da câmara municipal e também no próprio trilho, contudo, só quem fizer o trilho no sentido inverso é informado atempadamente, o aviso surge para quem vem do castelo em direção ao centro.
Após uma pequena subida chega-se às traseiras do castelo, à rua de acesso ao parque de estacionamento. Um momento para relaxar um pouco, contornar o velho alambor, a fortificação muralhada do castelo, e conhecer um pouco mais a história deste local encantado. O emir Arunce, chefe militar muçulmano destas terras antes da reconquista Cristã, foi pai de uma formosa princesa, Peralta de seu nome, por ela se apaixonaram guerreiros cristãos e desde então o seu nome ficou na lenda e memória popular. Outros painéis indicam o início de outros trilhos para as aldeias do xisto da Lousã.
O trilho contorna a praia fluvial de Nossa Senhora da Piedade, seguramente uma das mais bonitas de Portugal, uma oportunidade excelente para mergulhar nas águas frias (só custa entrar) mas reconfortantes da praia e desentorpecer os músculos neste local idílico. Convém  levar uma pequena toalha e calções de banho. Antes ou após o banho deve-se aproveitar para calcorrear os trilhos em lajes de xisto, que percorrem as diferentes ermidas, recordo a de Nossa senhora da Piedade, São João e a Capela do Senhor dos Passos. Mas, acima de tudo, a paisagem frondosa e este belo enquadramento entre a história militar de Portugal, o castelo da Lousã fazia parte de uma linha de defesa avançada na época da reconquista cristã, religioso e paisagístico.
De realçar ainda o restaurante Burgo, uma excelente oportunidade para uma bela almoçarada ou jantarada, consoante a hora, e de provar uma gastronomia onde imperam os pratos e produtos mais tradicionais e imprevisíveis, como o cabrito ou o javali.
O regresso faz-se seguindo as orientações do PR. Neste ponto acho que deviam haver indicações mais claras sobre quais os PR que estamos a seguir, visto que há vários que partem e chegam a este local provenientes da serra e às tantas não sabemos bem qual deles é o pretendido. Não é grave, facilmente, seguindo o bom senso e a memória visual, não levei mapa, mas recordo-me que o trilho tinha que contornar a praia fluvial, regressei ao centro da vila. Contudo, mais uma vez, é necessário ter muito cuidado, com a descida, após as ermidas, uma escadaria muito ingreme, em xisto, e que nos tempos mais chuvosos e húmidos pode originar quedas graves. A ravina aqui é alta. Na travessia da ribeira, seria útil uma corda metálica na parede rochosa, o espaço é estreito. Segue-se em terra batida até à ponte suspensa que vi na ida para o castelo, após a travessia o trilho é o mesmo do início, desta vez com a levada do lado esquerdo.
Resumindo: trilho interessante, bonito, frondoso, bem sinalizado, de fácil realização, com avisos de perigo de enxurrada, contudo os moinhos a  necessitarem  de recuperação, mais  passadiços, grades e cordas metálicas nos locais mais ingremes, para a segurança ser total.

Câmara Municipal da Lousã
O curioso pelourinho da vila, atrás do edifício da câmara.
A igreja matriz

Capela da misericórdia, século XVI

Palácio dos Salazares, transformado no hotel de charme Melia Boutique Lousã



Fábrica da Companhia de Papel do Prado, a partir daqui, mais à frente, o trilho passa a terra batida.






A ponte suspensa, na ida optei por não atravessá-la e seguir pela margem da ribeira. No regresso,  cruzei a ponte de lá para cá e segui a mesmo trilho, em sentido inverso.

Um dos moinhos do trilho, ou o que resta dele, tal como os outros que encontrei



Outro moinho


As primeiras panorâmicas das ermidas

Capela do Senhor dos Aflitos, restaurada há poucos anos, com o castelo da Lousã no fundo.

 A Praia Fluvial da Nossa Senhora da Piedade


O Restaurante Burgo By day and by night


Pormenor de um edifício de apoio na zona das ermidas

Trajeto entre as ermidas, o piso em xisto

A tal descida íngreme e perigosa, após as ermidas, já no regresso à Lousã

Quase a chegar ao fim do trilho em terra batida e prestes a passar junto à entrada da fábrica de papel

As curiosas placas com o nome das ruas no centro da vila da Lousã