sábado, 27 de dezembro de 2014

Pelos trilhos do Bioria em bicicleta


Vim mais de uma vez para o concelho de Estarreja percorrer alguns dos circuitos pedonais de interpretação do Bioria. Contudo,  esta foi a primeira vez que percorri alguns destes trilhos em bicicleta. Recentemente tornou-se possível alugar bicicletas no Centro de Interpretação Ambiental de Salreu.
Aluguei uma bicicleta e percorri partes de alguns trilhos e o percurso de Salreu na totalidade, o que a pé seria impossível em apenas uma tarde. O mapa com todos os circuitos pode ser encontrado aqui.
Em comboio, de Espinho ao apeadeiro de Salreu são apenas 30 minutos e depois mais 750 metros a pé até ao centro de interpretação. É fácil chegar. Os horários da CP encontram-se aqui.
Trata-se de um local com uma excelente localização, próximo de Aveiro e muito acessível através da linha da CP. Uma alternativa muito em conta para deixar o carro na garagem e depois alugar uma bicicleta e pedalar pelos inúmeros trilhos cicláveis. Em família, com amigos ou sozinho.
Como é normal por parte do Bioria e da Câmara de Estarreja estes percursos continuam bem sinalizados e a ter vários painéis explicativos dos diferentes aspetos ambientais, paisagísticos e humanos da região. Agora com mais este atrativo.
Os concelhos de Ovar, Murtosa e Estarreja são atravessados por uma rede de ciclovias  com ligação a estes trilhos de natureza paisagística e ambiental da Bioria. Para mais informações sobre os trilhos da cicloria, clicar aqui
De bicicleta ou a pé desfruta-se de toda esta riqueza e tranquilidade mesmo ao pé de centros urbanos e industriais como Aveiro, Cacia, Estarreja e Porto. Os trilhos têm continuidade entre si, sendo coincidentes  em algumas partes ou então através dos troços cicláveis que os unem.  Passar um dia a deambular de bicicleta, trazer o farnel e ir parando para petiscar e comer num dos vários bancos e locais de merendas que se encontram nos percursos é uma opção muito agradável.  Qualquer altura do ano é recomendada, desde que devidamente preparados para as respectivas condições atmosféricas.
 Os preços do aluguer da bicicleta são os seguintes:
 1 hora – 1 €
Uma manhã ou tarde – 2 €
O dia todo – 3 €
O preço do bilhete no suburbano, ida e volta, entre Espinho e Salreu é de 4, 5 €.
Tudo muito em conta.


Os esteiros são pequenos cursos de água que desaguam nos braços da ria e que antigamente serviam de comunicação com as localidades mais interiores,  essencialmente para trazer o moliço, o sargaço da ria, que fertilizava  os campos. Estas paisagens lagunares foram transformadas pelo homem e são atualmente habitats constituídos principalmente por arrozais, sapais e caniçais. As cegonhas são omnipresentes ao longo do percurso e facilmente se observam outras grandes aves como as águias de cauda redonda e as garças.
Paisagem dos campos de arroz e caniçais no Percurso de Salreu, vista de uma da das torres de observação
Um campo repleto de cegonhas

Uma cegonha que voou perto de mim

Campos alagados de arroz

Um braço da ria. Ponto mais a poente do Percurso de Salreu

Passadiços novos, próximos do centro de interpretação

Percurso do Bocage.  

Percurso do Bocage. De bicicleta facilmente transitamos de um trilho para o outro.Embora os habitats sejam idênticos, essencialmente húmidos e lagunares, o tipo de vegetação varia. Do percurso de Salreu, com partes mais abertas com predominância dos arrozais e caniçais, passa-se para as zonas mais fechadas e verdejantes do Bocage com pequenos campos de cultivo, onde além das vacas de raça marinhoa e de cavalos, se observam zonas com  maior abundância de árvores ripícolas. 

Percurso de Fermelã, do outro lado da braço da ria, oposto ao trilho de Salreu. Este barco vai ter que esperar mais um pouco pela maré cheia 

Algures no Percurso do Rio Jardim

Estas placas são visíveis logo após a saída do apeadeiro de Salreu pelo lado poente

Mapa dos percursos cicláveis  junto do centro de interpretação

domingo, 30 de novembro de 2014

Em redor da Frecha da Mizarela


Este percurso coincidiu quase por inteiro com o PR 7 de Arouca - Nas escarpas da Mizarela. Contudo, realizamos um pequeno desvio acidental, que valeu muito a pena, que nos levou mesmo à base da cascata. Um local muito bonito com piscinas naturais, rochas e árvores envolventes.
Hoje, dia com excelente visibilidade, foi possível observar de vários pontos do trajeto a serra e o mar em simultâneo. Ambiente tipicamente serrano mas já com um cheirinho do Atlântico e da ria de Aveiro, visíveis ao longe, por entre as colinas e as encostas da serra.
A descida decorre debaixo de carvalhos quase sem folhas e vegetação de cores outonais, por degraus de xisto, musgos e rochas. Sempre a exigir  algum cuidado e por vezes a obrigatoriedade de recorrer às mãos para não escorregar.
A imponente frecha da mizarela é observável de muitos ângulos e propicia sempre a oportunidade de belas fotografias.
O percurso continua bem sinalizado e com correntes metálicas de apoio nas encostas mais abruptas e perigosas.

É um trilho de grau de dificuldade elevada, devido ao declive muito acentuado e ao esforço necessário para subir a encosta da serra, após a travessia do rio Caima. Ao mesmo tempo é um privilégio ter aqui tão perto, a 45 minutos do grande Porto, um local ainda bastante selvagem com paisagens fabulosas e que nos dá a oportunidade de realizar um trekking mais radical e difícil. Fazendo minhas as palavras de um pedestrianista com quem nos cruzamos e que resumem bem o trilho: "A descida é perigosa e a subida é penosa".
Parte inicial do percurso, entre o parque de campismo do Merujal e a  aldeia de Albergaria-da-serra
A serra e o Mar. Início da descida.
Durante a  descida até à base da cascata
Uma das panorâmicas da Frecha

Mais mar e serra



O Pilriteiro no caima quase que dava um Haiku

A ponte de madeira para passar o Caima, antes do início da subida


Outra cascata

O vale do Caima
Uma perspectiva mais abrangente e surpreendente

Parede de escalada

O Rio Caima antes da Frecha, na parte final do trilho

domingo, 26 de outubro de 2014

Serra D´Arga


Foi a primeira vez que visitei a Serra D´Arga. Fui sem qualquer plano, apenas seguindo os amigos. Não posso dizer muito sobre o percurso, até porque cada vez mais acho que a descrição de um percurso está a ficar em desuso. Descobri, embora já suspeitasse, que através de vários sites como o Wikiloc podemos descarregar trilhas e segui-las. As trilhas têm comentários, altimetria. Imagino que todo o tipo de informações tecnicas que o caminheiro gosta de saber. Portanto, torna-se redundante estar a descrever um trilho quando já está descrito, ou parte dele, em dezenas de sites e utilitários como o Wikiloc. E de certeza que encontrarão fotografias bem melhores do que estas que vos apresento no meu humilde Blog.  Ficam apenas as impressões pessoais, completamente subjetivas, para eu recordar mais tarde. 
As primeiras impressões da serra não foram positivas. Os cumes despidos e rochosos, algumas eólicas dispersas, o sopé da serra com muitos eucaliptos, esta praga que vai roubando o lugar aos nossos carvalhos, castanheiros e sobreiros. Contudo, já no planalto, a minha opinião mudou. Gostei de ver alguns prados em socalco, as casas de xisto, os espigueiros, carvalhos frondosos, muitos azevinhos com fruto, castanheiros, regatos com moinhos abandonados, uma encantadora ponte de xisto com centenas de anos talvez. Resquícios de um tempo e de uma natureza mais primordial. E algumas surpresas de intermeio, como cascatas, recantos bucólicos e lagoas de água límpida e fria, onde consegui ganhar coragem para mergulhar numa delas e depois ficar ao sol a secar. Os banhos de água fria da serra são sempre revigorantes e refrescantes em qualquer altura do ano.
 Items e tradições a explorar na serra D´Arga, que eu não conheço mas que talvez valha a pena pesquisar e descobrir: A Nossa Senhora do Minho e a Romaria de São João D`Arga.















quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Rota Vicentina

Tive conhecimento da inauguração recente desta rota na costa Algarvia e Alentejana, desde o Cabo de São Vicente até Santiago do Cacém, através de um Blog de uma cidadã Inglesa a viver em Portugal. Fiquei muito satisfeito com mais esta possibilidade de realizar caminhadas de forma segura em contacto com a natureza e as belezas naturais de Portugal.
O projeto envolve os municípios da costa vicentina. Pretende promover o desenvolvimento sustentado, integrando as componentes ambientais, paisagísticas, tradicionais e culturais de forma harmoniosa, valorizando o que existe de mais característico e único na região.
Pela distância a que vivo da costa Alentejana não será fácil a curto prazo realizar a rota na totalidade, mas espero um dia realizá-la pelo menos parcialmente.
Considero muito meritório este tipo de projeto e desejo muito sucesso às entidades promotoras.

O Blog da Rota Vicentina está aqui. Deixo o vídeo oficial para aguçar o apetite de todos. 

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Senda Costeira Asturiana no Concelho de Caravia


A região das Astúrias é uma Meca do pedestrianismo. Conhecida e muito frequentada pelos trilhos de montanha, principalmente nos Picos de Europa ( a Ruta del Cares é talvez o trilho mais famoso de Espanha), oferece igualmente a possibilidade de realizar percursos ao longo da costa.
A Grande Rota E – 9, Senda Costera de Asturias, percorre todo o litoral Asturiano, sendo coincidente em muitos quilómetros com o Camino del Norte de Santiago.
Aproveitei a minha presença nesta região para realizar um pequeno troço entre o Arenal de Moris e a Playa de la Espassa, no concelho Asturiano de Caravia. O trilho atravessa prados verdejantes, próximo de falésias (por vezes demasiado próximo), não oferece dificuldades (exigindo, contudo, alguns cuidados) e permite observar a fauna e a flora da costa.
Recomendo a quem um dia o quiser realizar  que siga o caminho de Santiago. Ao pretender seguir exclusivamente a senda costeira, deparei-me por duas vezes com dúvidas quanto ao trajeto correto, acabei inadvertidamente por sair do trilho e sem dar conta estar muito próximo de falésias, o que poderia ter sido bastante perigoso. Por esta razão optei depois por seguir o caminho de santiago, que  não deixa de estar  próximo da costa, é igualmente bonito e não oferece tantas dúvidas. 
 O mar é bastante calmo, a ondulação suave e a temperatura amena, o que torna bastante convidativo dar um mergulho nestas águas do mar cantábrico, após o desgaste da caminhada.
O trilho tem 8 km (ida e volta).

Arenal de Moris - Início do caminho

Por vezes as falésias estão bastante próximas, o que exige cuidado

Um dos sinais de sinalização do trilho, as linhas horizontais branca e vermelha

Onde leva o trilho?

Uma parte que coincide com o caminho de Santiago

Pormenor da costa

Playa de la Beciella e mais ao fundo a Playa de la Espassa

Mais detalhes da costa

Placas de sinalização

Playa de la Espassa

O regresso ao Arenal de Moris

Playa de la Beciella

Desembocadura do ribeiro de Romeros, na playa de la Beciella, em cuja margem se construiu um mosteiro Beneditino, hoje inexistente. O nome do ribeiro faz alusão aos peregrinos do caminho de Santiago

Por fim o Arenal de Moris, onde iniciei a caminhada, a convidar-me para um mergulho