domingo, 20 de dezembro de 2009

Gerês
















Vim para esta caminhada cheio de expectativas. Com tanto mau tempo que tem feito por essa Europa fora, pensava que ia apanhar um grande nevão aqui no Gerês. Tem estado muito frio, temperaturas negativas no interior norte e previsões de chuva para hoje, pelo menos foi o que me pareceu quando consultei o sítio do Instituto de Meteorologia. Por isso, vim bem agasalhado, preparado para a neve e feliz pelas companhias. Não podia ser melhor para terminar o ano.

Enganei-me. Apesar do frio, não houve nenhum nevão. Esteve sol e os únicos resquícios de neve que vi foram uns farrapitos brancos de gelo em alguns sítios, que restavam ainda dos nevões de há uns dias atrás.

A caminhada começou em Fafião e fomos por trilhos não sinalizados, confiando cegamente no nosso GPS. Sem ele seriamos incapazes de nos orientarmos nestas serranias. Ao fim de alguns meses voltamos a reencontrar a confiança e a tranquilidade para caminharmos despreocupadamente. Estamos muitíssimo bem entregues.

Trilhos centenários calcorreados outrora por pastores, servem agora de referência a gente urbana, nostálgica da natureza e dos ares da serra. Os pastores são raros, ainda vimos um ao longe com um grupo de cabras enquanto fomos seguindo as mariolas.

O GPS indica-nos sempre o trilho correcto quando surge uma bifurcação ou não vemos a mariola seguinte, escondida por uma árvore que caiu, ou disfarçada por um efeito de mimetismo no cimo de uma rocha. Nunca avaria!

O Tempo esteve para a loucura de dar um mergulho nas águas gélidas de um ribeiro. Eu, que já tenho as minhas chatices, para quê meter-me numa tortura destas? Houve quem se tivesse aventurado, eu fiquei todo arrepiado só de ver. De qualquer forma, apreciei bastante a ousadia.

UM FELIZ NATAL  E BOM ANO NOVO A TODOS


Garranos

domingo, 13 de dezembro de 2009

Viagem à Pré-História (Arouca PR15)


Este percurso é dos mais interessantes de Arouca e um dos meus favoritos. Não foi a primeira vez que o fiz, nem será a última. Gosto dele por causa da variedade de enquadramentos que se atravessam, diferentes, rústicos, selvagens, telúricos. E tem uma grande vantagem em relação a muitos outros pela sua proximidade com o litoral, de São João da Madeira ao parque de campismo do Merujal (fechado nesta época do ano), onde iniciamos o percurso, demoram-se 30 minutos aproximadamente.

É um desfilar de lugares, todos merecedores de fotografias e olhares atentos e contemplativos: a Frecha da Mizarela, uma cascata com mais de sessenta metros de altura, nesta época com uma força de água impressionante. O Rio Caima, enfiado entre as rochas, com choupos e bétulas nas margens, a dar um aspecto bucólico ao trajecto. As árvores despidas, isoladas nas encostas da serra da Freita. As turfeiras húmidas com os riachos que as atravessam. Os campos em socalco ao redor da aldeia de Castanheira e, depois, a parte humana e cultural.

Na aldeola de Cabaços ainda se sente o cheiro da urina e do estrume das vacas que andam livremente pelas ruas a fazer companhia às galinhas. Em Castanheira, um casal de velhos retira palha seca de uma choupana. A mulher, com lenço preto na cabeça, o homem, muito mal-humorado, despacha-me com um “Toca a andar, toca a andar” quando lhes peço para tirar uma fotografia. Em Albergaria-da-Serra duas vacas Arouquesas mastigam pachorrentamente no meio da rua uns fardos de erva colocados na berma. Pujantes, com os cornos longos e lombos largos, dóceis e inofensivas, destinadas aos restaurantes da região.

Os vestígios históricos e geológicos não são menos importantes. A Mamoa do Monte Calvo e a Portela da Anta são dois recintos funerários pré-históricos, a provar que esta serra é habitada há milhares de anos e a razão de ser do nome deste percurso. E as não menos famosas Pedras Parideiras, um fenómeno geológico raro no planeta. Através de interacções físicas e químicas, pequenas pedras foram-se desprendendo da rocha-mãe, originando concavidades enegrecidas e pequenas pedrinhas de forma oval, facilmente identificáveis e apanhadas nas proximidades de Castanheira.

Por fim, a zona de lazer de Albergaria-da-Serra, onde no verão se pode tomar um banho nas águas límpidas e transparentes do rio Caima.

Esteve um frio e vento de rachar. O céu límpido permitiu avistar a ria de Aveiro e toda a linha de costa até Espinho, a zona urbana de Santa Maria da Feira, o castelo, e áreas dos concelhos de Vale de Cambra e Oliveira de Azeméis.

O percurso tem 17 Km, é circular e de dificuldade média/alta. Está bem sinalizado e é um encanto.