segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Percurso de Galegos














O Percurso pedestre está sinalizado e homologado de acordo com as normas da Federação Portuguesa de Campismo e Montanhismo, é circular e tem 12 quilómetros de extensão. A altimetria é pouco variável. Começa e acaba na aldeia de Galegos, Concelho de Marvão e insere-se no Parque Natural da Serra de São Mamede


Era por estas rotas que antigamente se fazia o contrabando com Espanha, o percurso passa a poucos metros da aldeia Espanhola de La Fontanera e entre as duas existe um morro bastante inclinado e zonas que seriam de difícil vigilância.

O rio Sever acampanha-nos em algumas partes do seu trajecto em direcção ao Tejo. A paisagem continua a ser impressionante, vêem-se as encostas da serra a culminar nas muralhas de Marvão e no casario branco à sua volta, noutros pontos a planície e os afloramentos rochosos, salpicados de sobreiros e carvalhos. Uma paisagem sóbria e austera, mas muito bela. Perdidas no meio da serra algumas vivendas típicas ou em recuperação pelos moradores, estrangeiros muitos deles.

As condições de caminhada foram óptimas, uma temperatura sempre amena, um sol tímido ameaçado de vez em quando por chuva, que não aconteceu, e principalmente a companhia que foi muito agradável.
Gilbardeira

Carvalo-negral (Quercus pyrennaica)




Festa da Castanha














Em Marvão decorreu este fim-de-semana a XXVI Festa do Castanheiro e Feira da Castanha. A vila encheu-se de barraquinhas e comércio para receber os milhares de forasteiros que aqui vêm nesta altura. Vendem-se bolos e doces tradicionais cujo elemento principal em muitos é a Castanha, bebe-se vinho e Jeropiga. Há umas canecas à venda para quem não quiser estar a beber do plástico (não sei qual era o preço, não bebi vinho nem jeropiga - Estou a ficar velho!). Muito artesanato, brinquedos, chocolates. Barraquinhas com presuntos, queijos, licores. Todo o género de artigos que se costumam encontrar neste tipo de eventos.


O enquadramento é fantástico, estamos nas ruelas medievais da vila, dentro da muralha. Só faltam os figurantes vestidos com trajes de época. Por todo o lado ouve-se o som da animação musical e do rancho folclórico que actua noutro largo e sentem-se os cheiros das iguarias quando passamos à frente de certas tasquinhas.

É um espectáculo andar por aqui! Ouço muitos Espanhóis. Diria que metade dos visitantes vêm do outro lado da fronteira. Compro umas iguarias, fatias de bolo, eivissias? (É assim que se chamam?) Uma espécie de crepe, em forma de rissol com doce de castanha lá dentro, mel da Serra de São Mamede que vi nuns púcaros muito giros, desenhados com motivos Alentejanos. Não conheço o mel, ainda não o provei, mas só pela beleza do vasilhame vale a pena a compra. E um mealheiro (não é para mim)

No fim, vejo uma exposição sobre Mousinho da Silveira, o grande legislador do regime liberal que nasceu em Castelo de Vide e também viveu algum tempo aqui em Marvão. Numa das ruelas, uma casa tem uma lápide que nos diz que ali viveu Branquinho da Fonseca.

Detalhes e figuras históricas à parte, Marvão por si só é capaz de nos transportar através do tempo por batalhas, figuras e lendas medievais. Sobranceira e imponente vigiando Espanha “É verdadeiramente excepcional”, como diz o bilhete de entrada. “É tão grande o mundo”, como diz José Saramago ao olhar a vastidão da terra do alto destas muralhas.




Castelo de Vide - Marvão (com muito riso)














É outro local totalmente diferente. Estou em Castelo de vide, a paisagem e a arquitectura mudaram subitamente desde que saí do Norte há quatro horas atrás. As casinhas brancas de vasos dependurados nas paredes e esquinas coloridas, tudo arranjadinho e harmonioso. Parece outro país, contudo isto é Portugal em toda a sua riqueza e memória histórica. Deambulo pelo centro da vila, observo as ruas que sobem até ao Castelo, a antiga Judiaria, as igrejas e os pequenos detalhes arquitectónicos que nos dizem de toda a riqueza e monumentalidade de Castelo de Vide.

O ponto de encontro é em frente ao posto de turismo com o pessoal da Quercus que organiza esta caminhada até Marvão. É um percurso não marcado, recentemente trilhado pelos nossos guias que o conhecem bem e nos darão explicações sobre a fauna, flora, geologia e cultura do local. Vamos “À Descoberta da Serra de São Mamede” pelo velho caminho medieval em estradão de pedra e por caminhos rurais já entrados em desuso. Uma distância de doze quilómetros, linear, sempre ascendente até à impressionante fortaleza de Marvão, contornando a encosta da Serra de São Mamede. Carvalhais, soutos, medronheiros de altura acima da média, sobreiros e cristas quartziticas envolvem-nos ao longo do trajecto.

A paisagem humanizada através dos sistemas tradicionais de utilização do solo, uma das razões que levaram à criação do Parque Natural da Serra de São Mamede, está hoje ameaçada devido ao despovoamento maciço das aldeias e ao desaparecimento dos modos de vida tradicionais. Quase só vivem velhos nestas aldeias, os novos emigraram para as cidades. Há bastantes estrangeiros por aqui que recuperam muitas habitações tradicionais e dividem o tempo entre o seu país de origem e esta serra, mas parece não ser suficiente para inverter o envelhecimento e a redução demográfica acentuada.

A partir de certa altura começamos a ver Castelo de Vide atrás de nós e as muralhas de Marvão lá no alto, imponentes esperando pela nossa chegada. Passamos ao lado de uma choça, um abrigo circular de origem primitiva cuja construção e aproveitamento perdurou até ao século passado, recuperada para o visitante imaginar outros tempos e modos de vida.

A par das explicações dadas pelos elementos da Quercus, da sua simpatia e divertimento, tivemos ainda a surpresa da Sessão de Yoga do riso. Quem nos visse ali em círculo no meio do monte às gargalhadas e a fazer uns gestos esquisitos, ia julgar que éramos um grupo de maluquinhos. “I Love You. Hahahaha”

Estamos quase em Marvão, cansados após uma subida a pé de doze quilómetros mas ainda temos humor e ironia suficiente para bater palmas e dar umas palavrinhas de apoio, pelo “seu esforço”, aos inúmeros condutores que passam por nós e não param o carro para nos deixar atravessar a estrada “Força, está quase, falta pouco.”

Em Marvão decorre a festa da Castanha. O Bilhete custa 1€ e tem uma citação – Marvão: Verdadeiramente Excepcional - Ray Bondin.

Judiaria de Castelo de Vide



Pilriteiro

Choça


segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Os Tortulhos














Começam a aparecer nesta época do ano, depois das primeiras chuvas quando as temperaturas arrefecem e a luminosidade diminui. Apreciam locais sombrios e húmidos, junto de árvores e restos de matéria orgânica em decomposição. É fácil encontrá-los nos matos em locais com estas características.
Na minha família sempre foi hábito apanhar tortulhos nesta época e sabemos distingui-los das espécies não comestíveis que ocupam os mesmos terrenos. São mais altos e carnudos do que a maioria das espécies (os maiores atingem os 20 cm), esbranquiçados com manchas acastanhadas no chapéu e um anel no pé.

Habituei-me desde miúdo a vê-los e a sentir os seus cheiros na cozinha quando confeccionados.  Hoje, sempre que tenho oportunidade, faço o mesmo. Assados, temperados com sal grosso e regados com um fio de azeite é o modo mais simples de os preparar, ou então estufados com alho, cebola e azeite também são muito saborosos.
Mas a receita que  habitualmente confecciono para uma refeição mais substancial é assim:
Ingredientes:
Cogumelos “Tortulhos”
Batatas
Dentes de Alho
Cebola
Coentros
Grãos de pimenta
Sal
Azeite
Tudo q.b.

 Preparação:
Lavam-se e partem-se os cogumelos  aos bocados.
Descascam-se e cortam-se as batatas às rodelas.
Pica-se o alho, corta-se a cebola às rodelas e refogam-se juntos com um pouco de azeite. Adicionam-se as batatas e um pouco de água, apenas o suficiente para não queimar o refogado. Deixam-se alourar e cozer ligeiramente (se necessário junta-se mais água). Tempera-se com grãos de pimenta moídos e sal.

Passados 10 minutos, adicionam-se os cogumelos e juntam-se os coentros. Deixa-se tudo a cozer  em  lume brando durante mais 10 minutos. O prato está pronto.
Serve-se com vinho branco ou tinto.




Et voilá!

sábado, 7 de novembro de 2009

Percurso de Salreu















Podia chamar o Reino das Cegonhas ao título desta entrada. Ficava bonito. Estas aves vêem-se a planar sobre os terrenos encharcados da Ria e dentro dos ninhos pousados nos postes de electricidade e das chaminés mais altas.

O Percurso de Salreu tem 8 km de comprimento, é totalmente plano e parte integrante da Ria de Aveiro. A entidade que o promove é a BIORIA.

Tem a vantagem de estar a apenas30 minutos de Espinho e a 60 do centro do Porto em comboio suburbano da linha de Aveiro. O preço do bilhete de ida e volta Espinho – Salreu é de 3, 60 €.

A partir do apeadeiro de Salreu são apenas 10 minutos até ao início do percurso junto do Centro de Interpretação Ambiental. Depois da sair estação vira-se à esquerda e segue-se por uma pequena estrada local até um cruzamento que tem a indicação do percurso. Continua-se, a partir daí , até atravessar o viaduto sobre a linha-férrea. O Centro de Interpretação, um pequeno edifício rectangular avermelhado, fica do outro lado.

Verifico que existem outros percursos da BIORIA nas proximidades, os do Bocage, Rio Jardim e Rio Antuã e fico agradado com mais esta possibilidade para futuras caminhadas.

O trajecto é fácil, demora três horas e está muitíssimo bem sinalizado. Existem painéis interpretativos em vários pontos, bancos e espaços para merendar.
Transcrevo partes do primeiro painel sobre a origem da ria de Aveiro:

“…esta é na realidade uma laguna costeira resultante da acção conjunta de ventos e correntes marítimas. Desta acção surgiram dois cabedelos arenosos: um que parte do cabo Mondego para Norte e outro que se estende de Espinho em direcção a Sul. A configuração destes extensos cordões arenosos ter-se-á iniciado no século X e demorado nove séculos a adquirir a configuração actual. Inicialmente o mar atingia localidades como Aveiro, Estarreja e Murtosa e submergia outras como Ovar e Mira.
Esta área foi desde cedo explorada pelo Homem que, atraído pelos seus enormes recursos naturais aí se fixou. Como resultado desta relação, a área adquiriu um inegável valor cultural e económico, tornando-se detentora de uma biodiversidade ímpar.”

Nesta altura do ano as cores são mais sombrias mas de uma grande beleza quando se olham os canaviais ressequidos e as margens lamacentas do rio Antuã e da Ribeira de Salreu.
Ao longo de percurso ouve-se o restolhar das ervas batidas pelo vento, os sons de diferentes espécies de aves e o coaxar das rãs.
É um trajecto propício à observação de aves e aconselham-se uns binóculos a quem estiver mais interessado no assunto.


Tabua-larga (planta comestível)

Rio Antuã
Velho cais abandonado

Comporta para os arrozais


Ponto de apoio


Ribeira de Salreu