sábado, 24 de setembro de 2011

Santa Maria Manuela


Navio Santa Maria Manuela



O navio Santa Maria Manuela foi construído em 1937. Era um dos três navios de quatro mastros da frota Portuguesa do bacalhau, os outros foram o Creoula e o Argus. Este último teve direito a um programa da National Geographic Society realizado em 1951, dedicado à pesca do bacalhau na Terra Nova.

Passava-se fome em Portugal. O governo de Salazar decidiu  financiar a pesca do bacalhau na Terra Nova para ultrapassar as carências alimentares da população Portuguesa. Foram construídos vários navios, sediados principalmente nos portos de Aveiro, Viana do Castelo e Lisboa.

Na Segunda Guerra Mundial, Portugal exportava volfrâmio e alguns produtos agrícolas para a Alemanha. Salazar fez um acordo com o governo Alemão. Em troca das exportações destes produtos, os submarinos Alemães não atacariam a frota Portuguesa. Para que ela fosse bem visível e facilmente se distinguisse dos navios de outras nacionalidades, os cascos dos navios foram pintados de branco. A frota Portuguesa da pesca do bacalhau passou a ser conhecida pela Frota Branca. “The Whyte Fleet” que regularmente aportava no portos de São João da Terra Nova no Canadá.

Desta época ficaram gravadas imagens de vários navios com os cascos brancos e as velas desfraldadas, que fazem parte da história e da memória recente de Portugal. Representam uma actividade económica que deixou fortes hábitos culturais nos Portugueses. Embora já fosse habitual o consumo do bacalhau,  este aumentou muito neste período e o hábito ficou. A pesca e a seca do bacalhau, Portugal é o país do mundo onde mais bacalhau seco se consome, empregou milhares de pessoas em Terra e em campanhas marítimas que duravam meses.

Também foi uma forma para muitos Homens de  escaparem  à guerra no ultramar. Indo  para a pesca do bacalhau ficavam livres do serviço militar. O salário base era muito reduzido, o que ganhavam a mais dependia da quantidade de bacalhau pescado.

Cada navio Mãe transportava aproximadamente 65 pequenos barcos, os Doris, empilhados uns em cima dos outros no convés. Chegados às águas frias do Norte, os Doris eram lançados à água, com um homem em cada um deles. Podiam ficar no mar até doze horas a pescar com anzol o bacalhau. Quando enchiam o barco, regressavam remando até ao navio Mãe. Os navios tinham uma tripulação aproximada de 70 homens.

O Santa Maria Manuel tem este nome em homenagem à esposa do armador, Dona Maria Manuela D`Orey, que não foi uma Santa canonizada pelo Vaticano, mas que o foi para o seu marido.  Deu-lhe quinze filhos e  deve tê-lo aturado imenso,  tendo sempre com ele "Uma Paciência de Santa".

O Argus fez parte de um documentário da National Geographic Society que o tornou famoso, nos anos 50 e 60, em vários países. Um livro sobre a pesca do bacalhau, traduzido em catorze línguas, também contribuiu para a fama. Homens solitários no mar alto empregando uma técnica de pesca artesanal e as belas imagens da “Frota Branca” fizeram desta actividade económica um acontecimento internacional. O navio tornou-se cobiçado por estrangeiros. O Governo do Estado Novo não permitiu e sua venda porque representava para o país uma memória histórica importante.

No verão quente de 1975, o navio foi retirado do estaleiro de Lisboa e foi parar aos Estados Unidos. Passou a ser usado como navio de recreio entre o Jet set internacional. Era um Must navegar no ex-bacalhoeiro filmado pela NGS, agora transformado em navio de lazer. O navio foi rebaptizado de Polynesia.

O proprietário do navio entrou em falência. Em 2007  foi a Leilão em Aruba. A mesma empresa que detém o Santa Maria Manuela comprou mais este navio  sem nenhuma ajuda do estado. Hoje, o Polynesia, ex-Argus estrela de documentário da National Geographic Society, encontra-se no em Ilhavo, na Gafanha da Nazaré, uns metros depois do  Santa Maria Manuela, à espera de ser recuperado.


É justo que se faça publicidade à empresa detentora destes dois navios, A Pascoal, que não deixa morrer a memória épica da “Frota Branca”.
Navio Santa Maria Manuela














Dóris







O Polynesia, Ex-Argus, no Porto de Aveiro

















O Polynesia
 

Pela primeira vez coloco publicidade no meu Blog.
Produto Português com um papel importante na preservação da nossa memória histórica, fazendo o papel que deveria competir ao Estado.


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