sábado, 6 de maio de 2017

de BUGA até São Bernardo


As Bugas, Bicicletas de Uso Gratuito de Aveiro, estão muito velhinhas e maltratadas. A ideia original foi excelente, quando surgiu há mais ou menos quinze anos atrás: distribui-las em locais estratégicos pelo centro da cidade, onde bastava chegar, pegar,  pedalar e devolver.  Houve muito vandalismo, roubos, bicicletas atiradas à ria, outras encontradas longe de Aveiro. O projeto foi definhando consoante as políticas e os partidos, mas não morreu totalmente e o que existe hoje é um resquício dessa ideia original. As bicicletas disponíveis devem ser as poucas que resistiram, sem  velocidades, campainha, desalinhadas, velhas, a necessitarem de substituição urgente. 
Ainda é possível usar gratuitamente as bicicletas, disponíveis na LOJA BUGA, na praça do mercado,
 no Horário que se segue.




Todas tem este número telefónico


Não fornecem cadeado.

Basta deixar um documento de identificação e ter mais de 16 anos. Aveiro é uma cidade muito ciclável, maioritariamente plana, com declives pouco acentuados e algumas ciclovias. Mas só me apercebi quase no fim, não tem os pavimentos avermelhados que se veem noutros sítios, são mais discretas, apenas uma linha branca e uma via mais estreita ao lado da estrada normal, em alguns trechos apenas.   Pedalei em ruas normais, passeios, jardins, levei-a à mão quando foi preciso, onde havia mais peões, para não os atropelar. Fui à Junta de Freguesia de São Bernardo, aos seguintes eventos:

A Feira da Saúde de S. Bernardo: https://www.facebook.com/events/1431376936924744/
 
Junta de Freguesia de São Bernardo
e conhecer o grupo Aveiro em Transição.

Um dos grupos é o CiclAveiro, apresentou projetos e estudos muito interessantes à câmara para promover o uso mais frequente da bicicleta, completamente subaproveitados até hoje. Outros projetos de cariz económico, educativo e de intervenção social não estão a ter a atenção da câmara. Os municípios Portugueses têm orçamentos participativos onde é dada a oportunidade à sociedade civil de intervir, discutir e decidir, de acordo com os princípios de descentralização administrativa e ambiental, propostos nas políticas ambientais e internacionais, tendo como base a agenda 21 e objetivos para o desenvolvimento sustentável da ONU. Algumas câmaras fazem-no, Aveiro SIM, mas é um processo hierarquizado, paternalista, sem a devida horizontalidade e igualdade de participação, só para dizer que sim.

Ao nível da freguesia de São Bernardo, pelo contrário, existe maior cooperação, participação social, fóruns, debates, formas de solidariedade entre os diferentes atores públicos e privados, uma dinâmica muito interessante que podia ser exemplo para a câmara municipal.  
Lá regressei pela estrada de São Bernardo, nacional 335, em direção ao centro de Aveiro na BUGA velhinha, devagarinho para o vento não me desequilibrar.



quinta-feira, 13 de abril de 2017

Versailles



Na carruagem de metro um indigente vai assediando os passageiros: “meus senhores e minhas senhoras eu sei que é desagradável, mas se me permitem a vossa compreensão e ajuda…”. Os passageiros mantem-se reservados, ignorando-o. Estou de costas, ouço-o apenas e torço para que não me venha chatear.  
Num sítio mais escondido, debaixo das escadas de acesso à linha, um colchão coberto por mantas andrajosas. Numa outra estação, um fulano miserável de pés descalços e encardidos agacha-se debaixo do ar condicionado.
Nos Campos Elísios casais de pedintes e filhos sentados no passeio tapam as pernas com cobertores, dando a sensação que dormem e fazem casa na rua, enquanto na Louis Vuitton estão dois Lamborghinis estacionados à porta e faz-se fila para entrar na loja: 14 000 € euros o preço de umas botas na montra.
Mudança de linha: um cigano romeno com acordeão ao pescoço indica-nos a plataforma para Versailles, sem perguntarmos nada. Depois diz que a pista está “too short”, para avançarmos mais para a frente, uma série de pessoas seguem-no. O comboio chega, passa por nós e para mais à frente, temos que correr para o apanhar. O homem tinha razão.  Toca acordeão e pede esmola nas carruagens. O turista à minha frente faz-lhe um sorriso amarelo e não dá esmola, eu também não.
Buffet a 37€ por pessoa, sem bebida. Gelados a 4€. Entrada de adulto na Disney a 90 €. Exército na rua e nos monumentos. Sacos e bagagens revistados várias vezes. Máquinas de raio-x. Vigilância apertada por motivos de segurança. Muita atenção aos sacos e malas: denunciar qualquer objeto abandonado e nunca nos esquecermos dos nossos.  
Recorda-se a guerra Franco-Prussiana de 1870-71 numa exposição em Les Invalides. Um cartaz com uma fotografia da época: o arco do triunfo e a alameda com casas arruinadas e bombardeadas. Junto ao Hôtel de ville uma lápide relembra os 20 a 30 000 fuzilados na semana sangrenta. A comuna de Paris e a Guerra Franco-Prussiana. O Sacre Coeur foi construído em 1873, a exposição universal de Paris e a construção da torre Eiffell em 1877. Não encontro qualquer explicação nos guias turísticos sobre alguma  possível relação entre estes eventos.
Rimbaud descalço dirige-se para a linha da frente no Marne. Ouço Debussy: Clair de Lune. Faltam as Gimnopedies de Satie.
Mas Paris é deslumbrante, sem exagero. Grandioso. Opulento. Monumental. As filas imensas de turistas saturam, demasiados em todo o lado. Filas intermináveis no Louvre e na Torre Eiffell.
Versailles: Cidade aristocrática, ordenada e limpa. Vejo chefes de estado e generais franceses de caqui e bigodes compridos a assinar tratados em fotografias e filmes mudos a preto e branco, no fim da 1º guerra mundial. Num quadro famoso da época o  Kaiser Guilherme I é entronizado imperador alemão, com Bismarck, paternalista, a assistir. Os Franceses não podiam ter escolhido local mais adequado para humilhar a Alemanha,  quarenta e oito anos depois da derrota na guerra Franco-Prussiana.
Mais uma fila interminável para entrar no palácio. É mais interessante caminhar pelos jardins, não se paga e não se perde tempo.  Bicicletas e carrinhos de duas pessoas para alugar, seria uma boa ideia não fosse tão exorbitante o preço.
Barcos a remos com casalinhos e famílias deambulam no canal. Picnics nas margens ensombradas por bétulas, onde me sento e descanso, como na canção.

Petit e Grand Trianom: Vale a pena, sem as filas do palácio de Versailles, onde Maria Antonieta se refugiava do fausto e cansaço da corte. Os jardins são belíssimos, bucólicos, sossegados, por momentos sem turistas, como se estivesse num bosque bem cuidado. Local que pretendia ser paradisíaco e deve ter sido. A rainha teve um fim nada condizente, violento e tremendo, como se sabe.
Petit Trianom

Grand Trianom


Na RTP2 passa a série Versailles, má, a não ser pelos figurinos e pela bolinha vermelha no canto superior direito. Luís XIV e as suas amantes, as intrigas da corte, os soldados que regressam da guerra na Flandres contra os Espanhóis para a construção do palácio e se revoltam com as condições miseráveis de trabalho, ao que o Rei responde com Les Invalides para lhes dar assistência. Os bosques infestados de salteadores, reforçados com a presença da tropa real, a nobreza mais tradicional que se opões às reformas reais. 
Templo do Amor

A Quinta




segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Diário em Bicicleta

Na estação de Campanhã entra o mesmo indivíduo, com ar de arrumador de automóveis, com quem falei há uns meses atrás, na única vez que transportei a bicicleta no metro. Volto a encontra-lo nesta segunda vez. Encosta a bicicleta à minha e começa-me a explicar como é que se deve fazer quando se anda com a bicicleta no metro.
Saio no mercado de Matosinhos e pedalo até Labruge, Vila do Conde, sempre junto à costa. Às vezes transgredindo a sinalização, pedalando no passadiço destinado exclusivamente a peões. Em Vila do Conde o passadiço é para uso de ambos.
Em Leça da Palmeira recordo no monumento a António Nobre a peça de teatro “As noites de Anto” de Mário Cláudio, sobre a vida do poeta, que li há uns anos atrás e que gostei bastante.
Nas piscinas de maré de Leça fico desiludido. Não têm nada de especial. Há pessoal que visita o Porto e vem aqui propositadamente ver esta obra de Siza Vieira. Acho mais piada à casa de chá da Boa Nova, uns metros mais à frente. O desenho da frente marítima de Leça também é seu. A casa do chá e as piscinas já são dos anos sessenta e o arquiteto continua a trabalhar. 

Tempo sombrio. Vento frio de frente. Cheiro a petróleo junto à refinaria da Galp. No regresso, umas pinguinhas de chuva começam a ameaçar aguaceiros mais fortes, reparo que não estou minimamente preparado para andar a pedalar à chuva. Apanho o metro em Brito Capelo e regresso a casa.
Monumento a António Nobre, Leça da Palmeira

Capela da Boa Nova

Obelisco da Memória, que comemora o desembarque das tropas liberais de D. Pedro IV nesta praia, em 1832. 


Ponte sobre o rio Onda, que separa os concelhos de Vila do Conde e Matosinhos


Praia em Labruge

A costa em Labruge é menos urbanizada, apanham-se uns troços um pouco mais naturais. 

A refinaria da Galp


quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Marinas de Sal da Ria de Aveiro


Já existiam marinas de sal em Ovar, quando Portugal se tornou um reino independente. Ovar era então um próspero porto com ligação direta ao mar.
As correntes marítimas dominantes e os detritos trazidos pelos rios que desaguavam  entre ovar e mira, foram assoreando a costa. O cordão dunar, que se começou a formar em espinho, foi aumentando para sul, isolando cada vez mais a ria. A navegabilidade e o acesso ao mar tornaram-se mais difíceis. Ovar perdeu importância económica, sendo substituído por  Aveiro. 
Os problemas que levaram ao declínio de Ovar também levaram, uns séculos mais tarde, ao declínio de Aveiro.
Em 1757 a ria ficou isolada, devido ao fechamento total da barra. A estagnação das águas e o assoreamento contínuo, provocado pelos detritos dos rios, aumentou a probabilidade de ocorrência de cheias e a insalubridade da região, havendo a proliferação de doenças e o aumento da taxa de mortalidade.
Fizeram-se diversas tentativas para reabrir a barra, com insucesso. As correntes marítimas voltavam a arrastar as areias da costa norte e a fechar o cordão dunar.
Em 1805 os engenheiros Oudinot e Luís Gomes de Carvalho lançaram um projeto para reabertura da barra, que foi concluído com sucesso em 1808, devolvendo o  acesso direto ao mar e uma maior prosperidade em  atividades económicas como a pesca, a agricultura e a produção de sal.
Em 1970 existiam 400 marinas de sal na ria. Hoje existem 8. Um dos fatores a que se deveu o declínio foi o desenvolvimento tecnológico, o sal começou a ser substituído pelos frigoríficos na conservação das carnes. Ainda me lembro de ver em miúdo um baú cheio de sal, na loja da minha avó, com bocados de carne em salmoura.
Como se obtém o sal?
As diversas marinas têm diferentes funções: o “viveiro”, uma grande lagoa em contacto direto com a ria, de onde se extrai a água necessária para alimentar as restantes marinas de sal;  as “cabeceiras”, que vão conduzir a água aos “alimentadores” e, por fim, os “cristalizadores”,  onde se obtém o sal.
O marnoto, ou salineiro, abre e fecha os canais que conduzem a água entre as marinas, de forma a que a salinidade da água vá aumentando desde o “viveiro” até ao “cristalizador”. Na última etapa, a água tem que estar suficientemente salgada para que ocorra a cristalização do sal.  
Só a partir da primavera se pode trabalhar nas marinas: o sol é a energia que movimenta o ciclo ao permitir a evaporação da água.  Também a  gravidade  faz com que a água se desloque sucessivamente do viveiro até ao cristalizador.
Num dia de muito calor podem ser extraídos 200 kg de um único cristalizador. Uma marina produz centenas de toneladas de sal, por ano. 
Para acelerar o processo acrescenta-se sal à água, que os marnotos retiram dos montículos por eles construídos em redor das marinas. O cristalizador deve ter uma salinidade entre 25 e 28 graus, para se formar sal com melhor qualidade.
Salicórnia. Planta comestível com sabor a sal que cresce nas margens das marinas.


Marina do cais da Troncalheira, Aveiro. Onde é possível misturar banhos de argila com banhos de sal. Deve ter muitas propriedades medicinais. 

Marina Grã-caravela. Cada marina tem o seu nome, esta é uma das 8 ainda em atividade.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Navio Santo André


Foi construído em 1948/49 na Holanda para a Empresa de Pescas de Aveiro, como navio de arrasto lateral na pesca do bacalhau.
Esteve em atividade até 1989, quando foi abatido à frota e passou a navegar com a bandeira do Panamá.

Em 2000/1 foi reconvertido em navio-museu. Encontra-se junto ao parque Oudinot, na Gafanha da Nazaré, fazendo parte do núcleo museológico do Museu Marítimo de Ílhavo.


Pormenor da proa de um moliceiro - Museu Marítimo de Ílhavo

Pormenor da proa (lado oposto) do mesmo moliceiro - Museu Marítimo de Ílhavo

Pinturas de João Carlos Celestino Gomes (1899-1960): "Presépio"( 1930) MMI

"Varina" (1941).  MMI


domingo, 31 de julho de 2016

Amsterdão



Na Dam uma mulher quase nua está a ser pintada por outra, mais velha. Cobra 1 € por uma fotografia com ela.
De um lado da praça, bandeiras palestinianas, do outro bandeiras israelitas. Duas manifestações pró e a favor. A polícia a cavalo mantem-se na expetativa. Nas traseiras do palácio real estão estacionados vários carros da polícia de intervenção. Nada acontece, tudo se mantem calmo e pacífico. Estátuas humanas, dart vader, fantoches, centenas de pessoas. Famílias e amigos em bicicleta.
 O European Pride decorre em Amsterdão. A cidade está cheia de cartazes alusivos ao festival. Nos hotéis, varandas e lojas da cidade há bandeiras arco-íris. Decorrem vários eventos ao longo destes dias: concertos, debates, espetáculos de rua, desfiles.
Uma mulher grávida atravessa a rua de mão dada com outra mulher, que no semáforo acaricia-lhe o rabo. Um cinquentão que veste apenas uns calções curtos, muito coloridos e berrantes, passa de bicicleta a toda a velocidade.
Em Amsterdão fuma-se marijuana nos coffee-shops. Há cerca de 90 na cidade. Cada qual pode vender apenas meio quilo de marijuana por dia, o que dá 450 quilos diários em toda a cidade. O único país do mundo onde é legal a produção de marijuana é o Uruguai. Então, onde de onde vêm os 450 kg diários de marijuana consumidos na cidade? Ninguém sabe.
A legalização do consumo nos anos 70 fez cair o número de dependentes em heroína, que passaram a consumir marijuana.
A Holanda é um dos países do mundo com menor consumo de marijuana. A maioria dos frequentadores dos coffee-shops são não holandeses.
 Na receção tenho que ler e assinar um documento que me dá conhecimento da proibição de fumar no interior do hotel. Estranho tanto rigor, nunca assinei nada do género. Mais tarde percebi a razão. Um sujeito quase adolescente, de barbicha, gorro e calças rasta entra no elevador, traz o cheiro da marijuana colado na roupa e um charro por acender na mão. Vai fumar lá para fora.
Percebi então a razão do rigor. Sem essa proibição haveria muita malta a fumar charros dentro do hotel, haveria um cheiro inconfundível nos corredores e quartos. Daria mau aspeto.
Há urinóis masculinos gratuitos em alguns pontos da cidade, todos eles com pouco resguardo. De vez em quando lá se vê um homem de costas, tapado apenas pelas ripas metálicas entre os joelhos e os ombros, e o chão molhado à volta.
A câmara municipal estava muito preocupada com a quantidade de homens que caiam nos canais quando queriam urinar. Decidiu, por isso, colocar pontos mais seguros para libertarem os seus líquidos: os urinóis.
As mulheres também acharam que tinham direito a urinóis públicos gratuitos e há boa maneira dos anos 70 em Amsterdão, um grupo de 50 mulheres urinou na via pública, como forma de protesto. A câmara introduziu os urinóis femininos.
Infelizmente, começaram a ser usados para chutar heroína. Foram retirados. Hoje, o único urinol público feminino fica na praça Dam, escondido debaixo de chão, numa plataforma que sobe para a superfície e fica disponível a partir das 6 da tarde.
O movimento dos PROVOS exigiu a legalização do consumo de drogas, a ocupação das casas devolutas e a criação de vias exclusivas para as bicicletas. As primeiras vias foram desenhadas a tinta no chão, sem o consentimento do governo, contra o domínio do automóvel. Muitas ciclovias atuais correspondem aos desenhos feitos nessa altura.
As exigências foram conseguidas.
O povo Holandês é o que trabalha menos na Europa, em muitos casos 4 dias por semana. O sistema de ensino permite que as crianças estejam apenas 3 horas por dia na escola e não tenham trabalho de casa. A holanda é um país próspero e as crianças aprendem.
É um país extremamente seguro. As prisões começaram a ficar vazias. Foi estabelecido um protocolo com a Noruega para importar prisioneiros.
A principal discoteca de Amsterdão, Paradise, era uma igreja.
Os urinóis femininos foram convertidos em outdoors publicitários.
Tudo se converte e recicla para dar lucro.
A holanda é o principal exportador mundial de flores, contudo poucas são produzidas no país. Diariamente chegam a Amsterdão milhões de flores de outras partes do mundo, que depois são reenviadas a preços mais elevados.
 No ensino holandês é de leitura obrigatória o romance Max Havelaar, escrito por um natural de Amsterdão, com o pseudónimo de Multatuli. O autor denúncia o abuso dos colonos holandeses sobre os indonésios, a exploração a as injustiças de que estes são permanentemente vítimas. No romance surge pela primeira vez o conceito de comércio custo. A principal entidade mundial dinamizadora do comércio justo é holandesa e tem nome do romance.
As crianças holandesas têm como leitura obrigatória um romance que expõe um lado sombrio da história do país e que apela aos valores sociais. Não sei se há algum livro de leitura obrigatória em Portugal que exponha os episódios mais sinistros da nossa história. 
O ponto mais alto da cidade, na ponte onde fica situada a estátua de Multatuli: 4 metros acima do nível da água do mar!
Este edifício tradicional, tal como muitos outros, está inclinado. Isso deve-se ao facto da  ter sido construído sobre estacas que ficam pousadas em areia. As estacas vão cedendo e eles inclinam. São visíveis na montra queijos tradicionais.
A fachada foi propositadamente  inclinada para a frente aquando da construção. Todos os objetos pesados e grandes são içados pelas paredes, a partir do varão que se observa no topo. Desta forma não embatem na parede. Os edifícios tradicionais não têm elevador. 




domingo, 12 de junho de 2016

Drave, a aldeia mágica



Foi bom regressar aos caminhos pedestres. Já conhecia este percurso, mas vale sempre a pena revisitá-lo.
As coisas continuam na mesma, nada mudou em Regoufe ou em Drave, excepto as ventoinhas de vento, não me lembro de ver tantas a última vez que aqui estive, e talvez haja menos vegetação, devido aos incêndios.
Em Regoufe, continua o mesmo cheiro característico a dejetos de animais e a verem-se animais a deambular livremente pelas ruelas. É uma viagem ao passado.
 No início da subida para Drave, por ser muito ingreme e em pedra solta, convém parar, ao ritmo de cada um, as vezes que forem necessárias. Abrigar na  sombra de um imponente carvalho,  ver Regoufe na encosta da serra, ouvir os chocalhos, as galinhas, o balir das ovelhas e o sino da aldeia a tocar as 2 horas, e depois continuar a subida mais um pouco.
No caminho empedrado ainda se notam os sulcos das rodas dos carros de bois. Devia ser muito perigoso o trajeto entre as aldeias. É ingreme, estreito e com algumas curvas apertadas, onde facilmente se poderia cair pela encosta abaixo.
Não vive ninguém em Drave. Os escuteiros de Arouca exploram alguns edifícios e autorizam que outros agrupamentos os utilizem. Foi uma forma inteligente da Câmara de Arouca dinamizar uma aldeia desabitada. Vêem-se vários escuteiros neste percurso e outros caminhantes. Regoufe, pelo contrário, já é habitado e à sua volta os campos estão arados, há vacas arouquesas a pastar. Um restaurante, o “Mineiro”, e um café.

O percurso é seguro, bonito e fácil. Está bem sinalizado. Ver o folheto aqui.
Ver o link desta caminhada em 2011, aqui.
mais um retrato de família, ver o link