sexta-feira, 31 de julho de 2026

Kazimierz

 


Isabela, Isa, é guia de Free Walking Tours em Cracóvia há mais de dez anos. Apareceu com a sombrinha amarela que identifica a empresa, confirmou o meu nome na lista, aguardou a chegada de mais alguns inscritos. Às 10:30, em ponto, iniciou a visita.

Começou por dizer que, como Polaca,  gosta de se lembrar que o seu país foi o mais tolerante do mundo com a comunidade judaica, durante 400 anos, até meados do século XVIII:

"Por este motivo, viviam no país três milhões e meio de judeus antes da  segunda guerra mundial. Só um outro país europeu tinha mais judeus do que a Polónia: a Rússia. Havia uma razão para isso: o reino unido da Polónia e da Lituânia era um território vasto, onde habitavam cristãos ortodoxos, católicos, muçulmanos e judeus.  Tinha de haver obrigatoriamente tolerância entre as diferentes religiões. Com o fim da união das duas coroas,   os judeus ficaram dispersos pelos países que depois vieram a fazer parte da Rússia e da futura União Soviética.

 O bairro de Kazimierz foi fundado pelo rei Casimiro, milhares de judeus Ashkenazis foram viver nele,  fugidos dos países onde eram perseguidos.  Ocupava a área entre esta rua, a Szeroka, e a Estery. Aqui foram construídas cinco sinagogas. Esta, onde nos encontramos, é a mais velha de todas, por isso  chama-se  Sinagoga Velha".

Ouvíamos Isabela encostados ao muro da sinagoga. Uma excursão de estudantes israelitas tinha acabado de sair da praceta; na  praça, em frente,  estavam estacionados carros de polícia. Famílias de judeus ortodoxos entravam e saiam das duas sinagogas na rua Szeroka.

"Se querem conhecer a história da cidade devem fazer o tour da cidade velha, mas se querem  saber mais  sobre a segunda guerra mundial  e histórias menos faladas da perseguição aos judeus, é este o tour que têm de fazer.”

Isa falava da  história judaica de Cracóvia com sensibilidade e paixão,  parava nos locais mais  emblemáticos do  percurso.  Notava-se que nutria predileção especial pelo tema, apresentava factos menos conhecidos, confrontava os clichês de Hollywood,  do filme  "A Lista de Schindler", sobre o gueto de Cracóvia, com a realidade.

"Nunca houve uma lista de Schindler, houve sim uma série de pessoas judias que se livraram dos campos de concentração; muitas delas graças ao apoio do  farmacêutico Polaco, Tadeusz Pankiewicz. Se quiserem saber mais sobre a história do Gueto devem ler o seu livro autobiográfico, está traduzido em algumas línguas: "A Minha Vida no Gueto."

Schindler era um nazi como os outros, beneficiou de mão de obra gratuita  na sua fábrica; por outro lado,  empregou centenas de judeus, evitando a ida deles para os campos de concentração."

Passamos em locais onde foram rodadas cenas do filme.

"O filme tornou o bairro mais famoso. Até aos anos 90 foi um local perigoso e marginal,  aqui viviam as piores pessoas da cidade. O regime comunista enviava para cá criminosos cadastrados, alcoólicos, pessoas com problemas psiquiátricos. Ninguém queria visitar o bairro. Hoje é um sítio charmoso, cheio de turistas, procurado para viver e para onde regressaram muitos judeus.”

Falou do rabino Rehmu, devido à sua grande sabedoria tornou-se rabino aos 21 anos. A sinagoga onde  trabalhou toda a vida ficou com o seu nome.

 "Os nazis destruíram o cemitério, transformaram-no num aterro do lixo, mas pouparam a sua sepultura, talvez por serem supersticiosos acreditaram que podiam  ser castigados se destruíssem o jazigo de um rabino tão influente".

Um dos visitantes perguntou:  Se a Polónia foi um país tão tolerante com os judeus, por que motivo houve tantas perseguições?

"A situação dos judeus piorou muito  quando o rei Segismundo III mudou a capital de Cracóvia para Varsóvia. Houve uma resposta política à reforma protestante, a Polónia radicalizou o Catolicismo. Aumentaram as perseguições e a intolerância com os não católicos".

Isa fazia pausas enquanto nos deslocávamos pela cidade. Perguntou-me, quando atravessávamos a ponte pedonal sobre o Vístula, onde eu vivia em Portugal.

- Porto.

- Estive lá numa época terrível da minha vida, andei pela América Latina e Índia. Quando cheguei ao Porto estava tudo parado, havia greves e manifestações por todo o lado. Fui assaltada.

- Quando foi isso?

- Creio que em 2012.

- Foram os anos da troika. Portugal estava muito endividado: o governo, para receber empréstimos do FMI, teve de cortar nas despesas públicas. Muitas empresas fecharam, os salários baixaram.

- A situação melhorou em Portugal, depois disso?

Hesitei na resposta que devia dar, não quis parecer sombrio e pessimista.  Achei melhor não dar azo a outras questões, até porque Isa tinha de continuar o tour.

-Sim, melhorou.

Depois dessa breve conversa, ela voltou a assumir a sua função de guia. Sentamo-nos todos nos degraus exteriores de uma igreja no bairro de Podgorski.

 "Os Alemães gostavam muito de Cracóvia por isso não a destruíram.  Kazimierz é  próximo do centro, afastaram os judeus  para esta margem do rio e construíram o gueto para os relocar.  Chegaram a viver aqui sessenta mil judeus, duas pessoas  por metro quadrado, uma densidade populacional  só por si suficiente para criar  más condições de vida: as pessoas mal cabiam dentro dele".

A visita guiada estava a chegar ao fim, dirigimo-nos para o último ponto do percurso: a Praça dos Heróis do Gueto.

 "Nesta praça eram reunidas as malas e  deportados  os judeus. Não iam para Auschwitz por ser  demasiado perto da  cidade, o risco de descobrirem o que estava a acontecer era elevado. Eram  transferidos para um campo mais afastado, em Belzec.

O nazismo não surgiu do nada, as perseguições aos judeus  tiveram a cumplicidade da maioria dos Polacos. Como Polaca, custa-me dizer isto, mas é a verdade.

Dos judeus que viviam na Polónia estima-se que só sobreviveram dez por cento. Quando regressaram às suas casas, continuaram a ser perseguidos. Houve um massacre em Agosto de 1945, a Alemanha já estava derrotada. Os Polacos lançaram o boato de que uma criança tinha sido raptada pelos judeus,  continuando a inventar o mesmo tipo de justificações para os perseguir. Foram  sempre os bodes expiatórios de tudo: dos problemas económicos, da fome, da peste, dos crimes. Durante o regime comunista, houve manifestações e protestos estudantis; o governo lançou  a culpa da agitação nas universidades e nas ruas a estudantes judeus, retirou-lhes a nacionalidade e o passaporte. A população judaica ficou reduzida a poucas centenas de pessoas. Depois da guerra continuaram a não  encontrar condições para viver na Polónia e a  solução que tiveram foi abandonar o país.”

Os Free Walking Tours não têm preço estipulado, recomenda-se pagar  uma gratificação ao guia no fim do passeio. Ofereci  alguns zlotys que tinha na carteira. Fui pouco generoso,  Isa desvendou mais histórias do  que as que abordei aqui. As que melhor ficaram registadas na minha memória.

Segui depois o meu caminho pela cidade, regressei no elétrico à  outra margem do rio, onde tinha começado  o passeio  de duas horas e meia. Parei numa pequena praça com esplanada, sentei-me a relaxar e a beber uma cidra polaca. Nesta cidade desconhecida,  de perto de um milhão de pessoas, deu-se a coincidência de encontrar o casal americano que andava na visita com a filha estudante. Percebo inglês suficientemente bem para entender o que diziam entre si  e,  sem querer ser bisbilhoteiro, fiquei um pouco perplexo com o que ouvi.

 A filha dizia ao pai:

- Estás gordo.

- Não estou nada.

- Estás, estás. Se não te cuidas ficas com a barriga inchada.

O pai mandou vir uma cerveja.

- Vês pai, já não consegues estar sem beber cerveja!  Estás a transformar- te num alcoólico.

- Não estou nada, bebo cerveja porque está muito calor. Sabe bem.

A mãe corroborava as palavras da filha, repetindo as suas admoestações.

- Pai, quero visitar a sinagoga Rehmu.

- Não sei se quero.

- Porquê?

- Porque, para entrar,  tenho de comprar um kippah para a cabeça. Não me apetece gastar dinheiro a comprar uma peça que só vou usar uma vez. 

- Pode não ser preciso.

- Acho que vai ser,  vi Kippahs à venda na  entrada da sinagoga,  a 50 zlotys.

- Pai, isso não quer dizer nada. Quando visitei uma sinagoga os meus amigos receberam um kippah descartável sem pagar nada e no fim deitaram-no fora.

- Achas que os judeus iam perder uma oportunidade de fazer dinheiro?

- Pai, és tão preconceituoso.

- Eu sei.

- Pai, não tens piada nenhuma.

- Está calada. Só tens de me obedecer, quem manda sou eu. Não abuses da minha paciência.

Saí incomodado da esplanada com as respostas do brutamontes do pai a ecoarem-me nos ouvidos.  Não sei se a filha o  convenceu  a entrar na sinagoga,   foi revoltante ouvir aqueles disparates depois de um passeio com  histórias pungentes de perseguições e intolerância religiosa. Há imbecis que nunca aprendem.
















quinta-feira, 30 de julho de 2026

Castelo de Wawel

 


Ao subir a escadaria para o segundo piso, a  vigilante, ao ver-me entrar,  levantou-se imediatamente da cadeira. Veio ter comigo, perguntou:

- O seu crachá? - apontou para o peito, desenhou um pequeno retângulo com os dedos, como se eu não tivesse entendido a palavra badge, crachá.

- Não tenho  crachá - respondi com naturalidade, encolhendo os ombros. Reparei que naquela sala todos os visitantes usavam crachá.

A vigilante apontou para o crachá de uma turista que passava por nós para se certificar de que eu a estava a entender.

Voltei a dizer que não o tinha.

- Mostre-me o bilhete, por favor.

Mostrei o bilhete. A senhora, muito admirada,  descobriu que eu estava ali sem ter cometido nenhuma infração. Pouco convencida, perguntou:

- Por onde entrou?

Apeteceu-me responder  que entrei pela chaminé, mas fui educado e disse a verdade:

- Entrei pela letra H.

- Devia ter entrado pela letra G. Não faz mal, continue a sua visita - voltou à sua cadeira baixando os braços em aquiescência.

Continuei a ver  quadros com as efígies de reis polacos,  cenas bíblicas e  tapeçarias gigantescas que ilustram  batalhas importantes da história da Polónia.

Nas outras salas, a  imensa história do palácio era contada através das relíquias arqueológicas e de múltiplos objetos distribuídos por vários espaços. Passei numa capela privativa encontrada nas escavações do castelo, com a ogiva gótica incrustada nos alicerces, onde os monarcas rezavam. No meio de tanta turistada,  aquela sala vazia, outrora um espaço recatado de oração, teve algum impacto em mim.

Os audioguias foram redundantes, por vezes os cabos emaranhavam-se nos meus óculos e atrapalhavam a visita; além do mais, as salas e as peças expostas tinham  informação escrita junto delas.

Ao fim de quatro horas de visita, exausto de tanta informação, na penúltima sala,  a L, recusei o aparelho de áudio: foi a única em que me fez falta. Passei trinta minutos nas catacumbas a  ouvir a história de um dragão,  em polaco. Pela entoação da voz, da música e dos efeitos especiais das luzes nas caves escuras, devia ser emocionante.

O importante são os detalhes e  tempo para os observar. A capacidade de se abstrair do ruído da multidão e da profusão de informação; conseguir, nem que seja por um momento breve, que algo surpreenda e  não seja indiferente. Talvez o momento na velha capela tenha sido isso.

A partir de certa altura, limitei-me a procurar ângulos e imagens fora de comum para fotografar, mais fáceis de encontrar em edifícios monumentais, arquitetonicamente diversificados e recheados de objetos valiosos. A visita passou a ser mais entusiasmante.

Saí por uma das portas da muralha depois de ter atravessado grutas escondidas debaixo do castelo, ambientes que deram origem a lendas e histórias encantadas na cultura popular.  Fui ter à margem do rio Vístula onde centenas de pessoas gozavam o dia de calor intenso e se abrigavam do sol escaldante nas sombras das árvores e das muralhas. Um grupo de idosos vestidos com trajes folclóricos e instrumentos de música popular, aproximou-se de mim:

- Italiano?

- Não, Português.

- O italiano e o português são parecidos - disse um deles.

- Mais ou menos - respondi.

Falaram comigo misturando italiano com outras palavras que deviam ser espanhol. Disseram Cristiano Ronaldo e Fernão de Magalhães. Eu sorri. Abriram o estojo do violoncelo na relva do jardim, com muitas notas de zloty.  Começaram a cantar e a tocar músicas tradicionais para os transeuntes. 

Estive alguns minutos a ouvi-los, houve um momento em que fiquei preocupado: pensei que me iam convidar a cantar com eles. Deixei uma nota de 10 Zloty. Acenei Adeus e segui caminho, contornando a cidade velha, pelos passeios frondosos e ajardinados do Planty, até à praça do mercado.
















quinta-feira, 16 de julho de 2026

Dakar

 


Vim enganado. Julgava que encontraria alguma organização e limpeza,  habituado ao que conheço da Europa. A ideia que tinha do  país antes de aqui estar  estava absolutamente errada. Tende-se a construir uma ideia do mundo e da organização social baseada na experiência pessoal e pelo que é transmitido na televisão.  Veem-se imagens de África, sabe-se que existe mais pobreza e miséria, mas não  se imagina o quão caótico e sujo pode ser.

Vi a seleção do Senegal no campeonato do mundo de futebol, uma boa equipa africana. Não sei por que razão inconsciente,  no meu íntimo havia um pensamento que dizia: se o país tem uma equipa no campeonato do mundo deve ser relativamente organizado.  Nada mais errado. Só a  vivência entre os habitantes locais no coração da cidade, fora  dos resorts turísticos que também existem aqui, permite  conhecer a fundo a verdadeira realidade do país.

Apesar da desordem, as pessoas seguem a sua vida como em todo o lado: têm  as suas relações pessoais, famílias e amigos,  trabalham, celebram os dias especiais, vivem as suas  rotinas, alegrias e tristezas, como todos os outros.   Mas o contraste é chocante.  

Como é possível esta desigualdade tremenda de desenvolvimento e de organização entre países?

Nas zonas que conheço da cidade, as estradas estão repletas de entulho, ficaram  desniveladas devido aos amontoados irregulares empilhados nas bermas.  Desperdícios de obras intermináveis espalham-se no alcatrão velho e a poalha mistura-se com a areia do deserto do Sahara trazida pelo vento.  Paira no ar  uma permanente nuvem de partículas finas que irrita os pulmões. As casas estão sempre inacabadas, sem reboco e os tijolos à mostra,  até que os filhos casem e construam uma nova divisão para albergar a família aumentada, rodeadas de lixo e esgotos a céu aberto que correm para valas improvisadas.

Circulam pick ups, carrinhas, jeeps, motorizadas. Sem separadores, semáforos, passeios e linhas a delimitar as bermas e os sentidos da estrada. As mulheres  caminham de trajes garridos,  levam  sacos de plástico na cabeça bamboleando-se debaixo deles, entre a desordem e  o  fumo dos canos de escape, as buzinadelas e a poluição sonora. Passam crianças e idosos. Jovens ociosos deambulam pelas esquinas à procura de um biscate.  Cães rafeiros esquálidos, de costelas salientes,  farejam o lixo.

As mulheres tiram dos sacos todo o tipo de objetos, espalham-nos  nas beiras das estradas naquilo que podiam ser passeios ou estacionamentos e fazem feiras improvisadas. Vendem peixe seco, fruta,  bugigangas, roupa, telemóveis usados. 

Pensei  que no Senegal toda a gente falaria o Francês,  por ter sido uma colónia francesa. Outro erro. A língua que utilizam entre si é o Wolof, uma língua com uma sonoridade estranha que adotou alguns vocábulos franceses e ingleses e  acentua o meu isolamento. 

Quando estou com eles, os meus anfitriões têm a gentileza de falar comigo em francês, língua que vou arranhando.  São muçulmanos praticantes: a mãe, madame Mariam,  usa véu a cobrir os cabelos  e um longo vestido colorido de algodão,  deixando-lhe apenas os olhos à mostra.

O Sr. Diop, o patriarca, veste habitualmente  de forma mais formal,  camisa e calças escuras e por vezes um chapéu curto, comum nos homens daqui, de pele com o desenho de padrões geométricos. 

As filhas, a começarem a vida adulta,  vestem-se à ocidental com calças de ganga, tops e sapatilhas.  Desfrutam de uma certa liberdade, saem à noite com as amigas, bem aprumadas,  de unhas e olhos pintados; movem-se de uma maneira elegante e são muito sensuais. Colocam  pestanas postiças, alongam-nas com  rímel e realçam  os seus olhos amendoados. Têm cabelos negros,  espessos e resinosos como piche. Elas, contudo, não revelam tudo aos pais, parece-me que a filha mais velha, Florence, fuma às escondidas. 

Ainda que a família Diop observe o Islão e eu veja frequentemente a mãe a rezar um terço de contas de madeira, talvez por influência de outras culturas  e a costumes ancestrais, anteriores à introdução do islamismo,  são uma  família  que eu considero tolerante.  

Ada, a filha do meio, foi-me mostrar o mar. Eu era o único branco que se via na rua, olhavam-me ostensivamente como a um objeto estranho:  o que faria ali um branco com uma mulher negra? Felizmente, ela é conhecida da vizinhança e fomos seguidos por muitos miúdos até à praia sentindo-nos em segurança com eles.

Tenho idade para ser seu pai, não há  nada entre nós e além do mais Ada está noiva de Omar, embora não goste dele, confidenciou-me. Acho que ela usou o pretexto de me levar a passear para contar coisas que não conta a mais ninguém. Talvez por eu ser estrangeiro, não falar a língua do país e estar de saída, sou como um cofre em  que pode depositar os seus segredos.

Fomos  pelo caminho que  conhece  visitar o porto de pesca e ver os barcos. É lá que se encontra sigilosamente com Suleiman, o homem de quem gosta.  Naquele dia estava apreensiva, sabia que ele e um grupo de amigos estavam no mar alto a tentar  chegar a Espanha, às ilhas Canárias, num barco de fundo chato com um só motor, numa tentativa de  fugir à miséria e começar vida nova na Europa.

A partir daquele dia começámos a ir juntos. Ela, para ter notícias de Suleiman,  levava o toubab, o estrangeiro branco,  a passear,  aproveitando para desabafar comigo os seus segredos. E eu  para fugir da claustrofobia da cidade suja e caótica. 

O mar é o Atlântico, o mesmo mar do meu país, as mesmas cores, o mesmo vento e ondulação. Ali sinto-me perto de casa e penso, todos os dias,  no momento de regressar.