domingo, 30 de novembro de 2014

Em redor da Frecha da Mizarela


Este percurso coincidiu quase por inteiro com o PR 7 de Arouca - Nas escarpas da Mizarela. Contudo, realizamos um pequeno desvio acidental, que valeu muito a pena, que nos levou mesmo à base da cascata. Um local muito bonito com piscinas naturais, rochas e árvores envolventes.
Hoje, dia com excelente visibilidade, foi possível observar de vários pontos do trajeto a serra e o mar em simultâneo. Ambiente tipicamente serrano mas já com um cheirinho do Atlântico e da ria de Aveiro, visíveis ao longe, por entre as colinas e as encostas da serra.
A descida decorre debaixo de carvalhos quase sem folhas e vegetação de cores outonais, por degraus de xisto, musgos e rochas. Sempre a exigir  algum cuidado e por vezes a obrigatoriedade de recorrer às mãos para não escorregar.
A imponente frecha da mizarela é observável de muitos ângulos e propicia sempre a oportunidade de belas fotografias.
O percurso continua bem sinalizado e com correntes metálicas de apoio nas encostas mais abruptas e perigosas.

É um trilho de grau de dificuldade elevada, devido ao declive muito acentuado e ao esforço necessário para subir a encosta da serra, após a travessia do rio Caima. Ao mesmo tempo é um privilégio ter aqui tão perto, a 45 minutos do grande Porto, um local ainda bastante selvagem com paisagens fabulosas e que nos dá a oportunidade de realizar um trekking mais radical e difícil. Fazendo minhas as palavras de um pedestrianista com quem nos cruzamos e que resumem bem o trilho: "A descida é perigosa e a subida é penosa".
Parte inicial do percurso, entre o parque de campismo do Merujal e a  aldeia de Albergaria-da-serra
A serra e o Mar. Início da descida.
Durante a  descida até à base da cascata
Uma das panorâmicas da Frecha

Mais mar e serra



O Pilriteiro no caima quase que dava um Haiku

A ponte de madeira para passar o Caima, antes do início da subida


Outra cascata

O vale do Caima
Uma perspectiva mais abrangente e surpreendente

Parede de escalada

O Rio Caima antes da Frecha, na parte final do trilho

domingo, 26 de outubro de 2014

Serra D´Arga


Foi a primeira vez que visitei a Serra D´Arga. Fui sem qualquer plano, apenas seguindo os amigos. Não posso dizer muito sobre o percurso, até porque cada vez mais acho que a descrição de um percurso está a ficar em desuso. Descobri, embora já suspeitasse, que através de vários sites como o Wikiloc podemos descarregar trilhas e segui-las. As trilhas têm comentários, altimetria. Imagino que todo o tipo de informações tecnicas que o caminheiro gosta de saber. Portanto, torna-se redundante estar a descrever um trilho quando já está descrito, ou parte dele, em dezenas de sites e utilitários como o Wikiloc. E de certeza que encontrarão fotografias bem melhores do que estas que vos apresento no meu humilde Blog.  Ficam apenas as impressões pessoais, completamente subjetivas, para eu recordar mais tarde. 
As primeiras impressões da serra não foram positivas. Os cumes despidos e rochosos, algumas eólicas dispersas, o sopé da serra com muitos eucaliptos, esta praga que vai roubando o lugar aos nossos carvalhos, castanheiros e sobreiros. Contudo, já no planalto, a minha opinião mudou. Gostei de ver alguns prados em socalco, as casas de xisto, os espigueiros, carvalhos frondosos, muitos azevinhos com fruto, castanheiros, regatos com moinhos abandonados, uma encantadora ponte de xisto com centenas de anos talvez. Resquícios de um tempo e de uma natureza mais primordial. E algumas surpresas de intermeio, como cascatas, recantos bucólicos e lagoas de água límpida e fria, onde consegui ganhar coragem para mergulhar numa delas e depois ficar ao sol a secar. Os banhos de água fria da serra são sempre revigorantes e refrescantes em qualquer altura do ano.
 Items e tradições a explorar na serra D´Arga, que eu não conheço mas que talvez valha a pena pesquisar e descobrir: A Nossa Senhora do Minho e a Romaria de São João D`Arga.















sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Senda Costeira Asturiana no Concelho de Caravia


A região das Astúrias é uma Meca do pedestrianismo. Conhecida e muito frequentada pelos trilhos de montanha, principalmente nos Picos de Europa ( a Ruta del Cares é talvez o trilho mais famoso de Espanha), oferece igualmente a possibilidade de realizar percursos ao longo da costa.
A Grande Rota E – 9, Senda Costera de Asturias, percorre todo o litoral Asturiano, sendo coincidente em muitos quilómetros com o Camino del Norte de Santiago.
Aproveitei a minha presença nesta região para realizar um pequeno troço entre o Arenal de Moris e a Playa de la Espassa, no concelho Asturiano de Caravia. O trilho atravessa prados verdejantes, próximo de falésias (por vezes demasiado próximo), não oferece dificuldades (exigindo, contudo, alguns cuidados) e permite observar a fauna e a flora da costa.
Recomendo a quem um dia o quiser realizar  que siga o caminho de Santiago. Ao pretender seguir exclusivamente a senda costeira, deparei-me por duas vezes com dúvidas quanto ao trajeto correto, acabei inadvertidamente por sair do trilho e sem dar conta estar muito próximo de falésias, o que poderia ter sido bastante perigoso. Por esta razão optei depois por seguir o caminho de santiago, que  não deixa de estar  próximo da costa, é igualmente bonito e não oferece tantas dúvidas. 
 O mar é bastante calmo, a ondulação suave e a temperatura amena, o que torna bastante convidativo dar um mergulho nestas águas do mar cantábrico, após o desgaste da caminhada.
O trilho tem 8 km (ida e volta).

Arenal de Moris - Início do caminho

Por vezes as falésias estão bastante próximas, o que exige cuidado

Um dos sinais de sinalização do trilho, as linhas horizontais branca e vermelha

Onde leva o trilho?

Uma parte que coincide com o caminho de Santiago

Pormenor da costa

Playa de la Beciella e mais ao fundo a Playa de la Espassa

Mais detalhes da costa

Placas de sinalização

Playa de la Espassa

O regresso ao Arenal de Moris

Playa de la Beciella

Desembocadura do ribeiro de Romeros, na playa de la Beciella, em cuja margem se construiu um mosteiro Beneditino, hoje inexistente. O nome do ribeiro faz alusão aos peregrinos do caminho de Santiago

Por fim o Arenal de Moris, onde iniciei a caminhada, a convidar-me para um mergulho

terça-feira, 17 de junho de 2014

Holanda, ponto final

Li algures que  antes da 2º guerra mundial a sociedade Holandesa estava dividida em 4 pilares: marxista, liberal, católico e protestante, sendo os 4 totalmente independentes. Todas as instituições estavam organizadas dentro destes pilares.
Cito novamente J. Rentes de Carvalho, no livro Com os Holandeses:
Zuil, significa coluna, pilar e segundo um dicionário de Neerlandês: “cada um dos grupos em que o povo holandês se divide a si próprio, segundo as diferenças de religião ou as maneiras de encarar a vida.”. Cada Zuil possui associações específicas para quase todos os ramos de atividade, desde o ensino à televisão, desde o desporto às viagens organizadas.
Os “pilares” são preponderantes na sociedade holandesa.
O que observo é uma sociedade multicultural. Como se integrarão estes holandeses de outras origens nesta sociedade tão compartimentada?
Conheci um casal de holandeses, “típicos”: reformados, na casa dos 70, simpáticos, bons conversadores. Vinham de férias a Portugal. Vivem perto de Haia.
“- Devia ter ido a Haia. É mais “Holandesa”. Amesterdão tem muitos estrangeiros, não é a verdadeira Holanda” - Disseram-me eles.
“ - Isso é bom ou é mau, ter muitos estrangeiros?” -Perguntei eu.
“- Depende. Se vierem para trabalhar não há problema. Mas há muitos que recebem subsídios e não fazem nada”. Depois usaram metáforas. “- Na Holanda também têm que comer batatas como os holandeses, não podem comer só arroz. E o problema é que só comem arroz.”
Qualquer miúdo numa caixa de supermercado falava Inglês com naturalidade quando se apercebia que eu não era holandês, muçulmanos com lenço na cabeça, negros, todos “novos” holandeses.
Como é que este país consegue gerir esta multiculturalidade? Há integração ou não?
Os holandeses têm um contacto mais permanente com outras culturas o que para mim é enriquecedor. Poderão ser ou não um povo “fechado”, mas são mais cosmopolitas se quiserem, não só porque têm uma maior diversidade cultural dentro do país, como também viajam bastante mais do que nós. Também têm mais dinheiro para isso.