Distância: 24,5 Km
Rotina de um albergue:
Chegar. Tomar banho. Pôr alguma roupa a lavar e a secar. Jantar e deitar cedo, antes das 22.00 horas, e acordar por volta das 07.00 da manhã, para abandonar o albergue antes das 08.00.
O preço habitual nos albergues públicos é de 5 € e nos privados 10€ (são ligeiramente melhores). Há poucos anos atrás não havia preço, era La Voluntad em quase todos. Com o afluxo crescente de peregrinos, resolveu-se instituir um preço, que não fez diminuir o número de peregrinos, este tem aumentado de ano para ano.
Todos têm condições dignas. Há cuidado em mantê-los limpos e asseados e, dentro das características de um albergue, consegue-se ter alguma privacidade. Excepto neste Municipal de Palas de Rei. Está muito desmazelado: não tem cortinas, quem passa na rua vê os quartos de dormir; as casas de banho são mistas e não têm cortina no chuveiro. Os tanques de lavar roupa estão cheios de lodo e cheiram a mofo.
Pela alvorada encontro os três Galegos na Plaza de Portomarin.
- Dormiram outra vez na rua?- pergunto-lhes e rir.
Estavam a fazer tempo para ir ao Posto de Saúde. Luís mostrou-me os tornozelos, estavam horríveis com uma enorme cicatriz vermelha à volta deles, pareciam uma queimadura de água a ferver. Foram as botas que lhe provocaram essas feridas. Deitou-as fora e continuou até ao fim em chinelos. Ontem terminaram a etapa muito penosamente e foi por pouco que ainda arranjaram lugar no albergue público.
- Vão continuar hoje até Palas de Rei? – Não sabem como vai ser. Desejo-lhes boa sorte e as melhoras.
Chego cedo demais a Palas de Rei. Se tivesse continuado mais uns quilómetros teria ocupado melhor o meu tempo, caminhando, e estaria mais próximo de Santiago.
Estou com dificuldades em ocupar o tempo. Tenho um livro para ler que ainda não iniciei, talvez o faça hoje.
Entretanto janto sozinho e fico ligeiramente tocado pelo álcool, numa alienação que me ajuda a passar o tempo. Este tempo morto é monótono se não houver companhia. É bastante mais agradável caminhar acompanhado do que sozinho e caminhar sozinho é melhor do que ficar em casa.
A televisão Espanhola consegue ser mais horrível do que a Portuguesa. Sempre que parei num bar e olhei para o televisor, vi mulheres histéricas a gesticular e a falar muito alto. Uma contra o pai que não reconhecia a neta e a havia maltratado em pequena; outra contra uma vizinha. Só peixeiradas ao vivo. Sem faltarem os comentadores pindéricos a dar a sua opinião, e a sua moral, sobre cada caso.
Regresso mais cedo do que o habitual ao albergue e aproveito para começar a ler o livro, talvez me seja uma boa companhia.
Festa da Aguardente, Portomarin...não bebi aguardente |
Portomarin, 07.00horas |
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