Bom, Dia Caros Senhores
Venho por este meio comunicar a insegurança que
como peão sinto nas estradas em redor da minha residência em Eirães, Vila Nova da Cortiça, nomeadamente na rua dos
Chouriços, rua das Oliveiras, rua da Estrela
e rua da Belavista.
Vivo aqui desde criança, as
estradas eram em paralelos e sempre ansiamos por melhores arruamentos e alcatroados. Finalmente as obras foram
feitas. Alcatroaram-se e alargaram-se
estradas, os passeios foram estreitados. As entradas nas casas ficaram mais expostas aos carros, não se fizeram lombas,
nem se colocaram sinais de trânsito ou passadeiras para reduzir a velocidade. Ruas
da largura de estradas nacionais atravessam zonas residenciais onde circulam
jovens estudantes a caminho das paragens de autocarro, ou idosos sem carta,
porque quem tem carta de condução raramente caminha nestas estradas, procura outros sítios
para o fazer. Os arruamentos foram “melhorados” a pensar nos automóveis e não nos
peões.
A coexistência entre peões e viaturas é perigosa. Os carros circulam permanentemente muito acima do limite de velocidade, há curvas, desníveis, cruzamentos largos, rápidos e desalinhados, que contribuem para a perigosidade da estrada e aumentam os riscos para peões e ciclistas.
Não se atenuou a possibilidade de
erro humano, as estradas como estão amplificam o perigo das falhas humanas.
Como morador e cidadão que paga
impostos, que conduz e caminha por estas estradas, sinto que devia ter outras
garantias de segurança na minha rua e nas circundantes. Não tenho.
Já enviei cartas para a Câmara
Municipal, falei pessoalmente com o anterior presidente da Junta de Freguesia, a sugerir passadeiras, lombas, sinalização e
alterações nos perfis das estrada para melhorar a segurança. Não houve qualquer
modificação até hoje.
Parece que estamos condenados a ficar cada vez mais confinados e cercados por estradas perigosas onde sair de casa a pé é um risco. Os arruamentos urbanos deviam ser feitos a pensar que caminhar em segurança significa melhorar a Qualidade de Vida.
Mas as prioridades e mentalidades estão invertidas, privilegia-se o uso do carro, constroem-se estradas largas e rápidas dentro das localidades, erros crassos que desumanizam as nossas freguesias, destroem a fruição que se devia ter ao caminhar em sítios onde ainda permanece uma certa ruralidade e memória de tempos ligados ao trabalho na terra, mantendo os nossos índices de sinistralidade muito elevados: algo que nos devia embaraçar como país (PRP).
Mais de
metade das mortes dão-se em arruamentos
urbanos (ANSR).
É um paradoxo: é mais seguro caminhar nas cidades do que nas periferias. O excesso de transito citadino, o maior número de passadeiras e de semáforos, causa lentidão na circulação; enquanto que nas periferias urbanas, apesar de haver menos automóveis, estes circulam mais velozmente e a sinalização e o perfil das estradas carecem dos necessários instrumentos de segurança.
Peço-vos que, na vossa qualidade
de organismo de Prevenção Rodoviária, aconselhem
a Câmara Municipal - um dos concelhos mais prestigiados
do país, onde a segurança nas estradas pode contribuir decisivamente para a
melhoria dos índices nacionais - e a Junta de Freguesia, a fazerem as
necessárias melhorias nos seus arruamentos. Ou que os vossos técnicos se desloquem a estas
ruas, sintam eles próprios o desconforto que eu sinto ao caminhar nelas,
elaborem os respetivos relatórios de segurança e encaminhem-nos para quem tem o
dever de fazer ruas seguras.
Despeço-me com os meus melhores cumprimentos e os desejos de um ano de 2026 com melhorias significativas na sinistralidade rodoviária.






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