sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Rua dos Chouriços

 


Bom, Dia Caros Senhores

 

Venho por este meio comunicar a insegurança que como peão sinto nas estradas em redor da minha residência em Eirães,  Vila Nova da Cortiça, nomeadamente na rua dos Chouriços, rua das Oliveiras,  rua da Estrela e rua da Belavista.

Vivo aqui desde criança, as estradas eram em paralelos e sempre ansiamos por melhores arruamentos  e alcatroados. Finalmente as obras foram feitas.  Alcatroaram-se e alargaram-se estradas, os passeios foram estreitados. As entradas nas casas ficaram  mais expostas aos carros, não se fizeram lombas, nem se colocaram sinais de trânsito ou passadeiras para reduzir a velocidade. Ruas da largura de estradas nacionais atravessam zonas residenciais onde circulam jovens estudantes a caminho das paragens de autocarro, ou idosos sem carta, porque quem tem carta de condução raramente  caminha nestas estradas, procura outros sítios para o fazer. Os arruamentos foram “melhorados” a pensar nos automóveis e não nos peões.

A coexistência entre peões e viaturas é perigosa. Os carros circulam permanentemente muito acima do limite de velocidade, há curvas,  desníveis,  cruzamentos largos,  rápidos e desalinhados,  que contribuem   para a perigosidade da estrada e  aumentam os riscos para peões e ciclistas.

Não se atenuou a possibilidade de erro humano, as estradas como estão amplificam o perigo das falhas humanas.

Como morador e cidadão que paga impostos, que conduz e caminha por estas estradas, sinto que devia ter outras garantias de segurança na minha rua e nas circundantes. Não tenho.

Já enviei cartas para a Câmara Municipal, falei pessoalmente com o anterior presidente da Junta de Freguesia,  a sugerir passadeiras, lombas, sinalização e alterações nos perfis das estrada para melhorar a segurança. Não houve qualquer modificação até hoje.

Parece que estamos condenados a ficar cada vez mais confinados e cercados por estradas perigosas onde sair de casa a pé é um risco. Os arruamentos urbanos deviam ser feitos a pensar que caminhar em segurança significa melhorar a Qualidade de Vida.

Mas as prioridades e mentalidades estão invertidas, privilegia-se o uso do carro, constroem-se estradas largas e rápidas dentro das localidades, erros crassos que desumanizam  as nossas freguesias, destroem a fruição que se devia ter ao caminhar em sítios onde ainda permanece uma certa ruralidade e memória de tempos ligados ao trabalho na terra,   mantendo  os nossos índices de sinistralidade muito elevados: algo que nos devia embaraçar como país (PRP). 

Mais de metade das mortes  dão-se em arruamentos urbanos (ANSR).

É um paradoxo: é mais seguro caminhar nas cidades  do que nas periferias. O  excesso de transito citadino, o maior número de passadeiras e de semáforos, causa lentidão na circulação; enquanto que  nas periferias urbanas,  apesar de haver menos automóveis,  estes circulam  mais velozmente e a sinalização e o perfil das estradas carecem dos necessários instrumentos de segurança.

Peço-vos que, na vossa qualidade de organismo de  Prevenção Rodoviária,  aconselhem  a  Câmara Municipal - um dos concelhos mais prestigiados do país, onde a segurança nas estradas pode contribuir decisivamente para a melhoria dos índices nacionais -  e a Junta de Freguesia, a fazerem as necessárias melhorias nos seus arruamentos.  Ou que os vossos técnicos se desloquem a estas ruas, sintam eles próprios o desconforto que eu sinto ao caminhar nelas, elaborem os respetivos relatórios de segurança e encaminhem-nos para quem tem o dever de fazer ruas seguras.

Despeço-me com os meus melhores cumprimentos e os desejos de um ano de 2026 com melhorias significativas na sinistralidade rodoviária.





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