segunda-feira, 27 de julho de 2009

Citânia de Briteiros


Foi em 1875 que Martins Sarmento começou as escavações que puseram a descoberto a existência desta Citânia de Briteiros.

Os castros datam dos finais da idade do bronze, primeiro milénio antes de Cristo, e eram povoações fortificadas, situadas em locais estratégicos de sítios elevados com boa visibilidade.
Este, fica num monte sobranceiro ao Rio Ave, rodeado de outras encostas montanhosas, floresta e próximo de outros cursos de água. Graças a estas características locais foi possível aos povos que o habitaram desenvolver uma economia diversificada de pastorícia, no monte do Sameiro, pesca, recolha de frutos silvestres, cultivo de trigo, painço, linho, e comércio de sal com povos que vinham do Mediterrâneo.
A existência de três muralhas é um indício, para alguns arqueólogos, de um estado de guerra endémico. Outros, consideram que as muralhas seriam apenas um sinal de ostentação.

O castro distribui-se por uma área de 27 hectares com núcleos residenciais, arruamentos, muralhas, um cemitério cristão, a Casa do Conselho e balneários.

Para quem julga que a higiene é um hábito recente e que a sauna foi inventada na Finlândia, foi surpreendente descobrir que neste local existiu um balneário para banhos de vapor.
As pedras eram aquecidas num forno e encharcadas com água fria que provocava a libertação do vapor. Havia uma câmara intermédia, de temperaturas mais amenas, e uma terceira, que também serviria de vestiário, com um tanque para banhos de água fria. A entrada no compartimento mais aquecido era feita através de uma pedra, a Pedra Formosa, que possuía uma pequena cavidade que só permitia a entrada de um indivíduo de cada vez, arrastando-se pelo chão, e evitava a saída do calor.

A Casa do Conselho é um edifício Circular onde os chefes das linhagens se reuniam para debater os problemas da comunidade. Sentei-me no degrau do muro, que serviria de assento aos velhos chefes, a imaginar essas assembleias, observando os carvalhos, o pinheiro frondoso em frente e a paisagem envolvente.

A Citânia foi habitada ao longo de vários séculos e sofreu transformações de acordo com a cultura dos povos dominantes em cada uma das épocas. Crê-se que o povoamento original é anterior aos Celtas e deve-se a povos oriundos das primeiras migrações Indo-Europeias que se estabeleceram na Península Ibérica. O período áureo desenvolveu-se entre os séculos II A.C e I D.C, ou seja, no período Romano. Existem vestígios de povoamentos mais recentes, da Idade Média, no cemitério e ermida Cristã.

O sítio http://www.csarmento.uminho.pt/, complementa o desdobrável que recebemos na entrada com mais informação e imagens virtuais.

O grande benfeitor e entusiasta desta descoberta foi Martins Sarmento, um insigne Vimaranense que imbuído pelo espírito do Romantismo Europeu do século XIX se dedicou incansavelmente à recolha e pesquisa das origens e história dos antepassados que povoaram estes locais. Febrilmente desenterrou diversos tipos de objectos de uso quotidiano, pôs a descoberto as ruas e calçadas da citânia e coligiu hipóteses e explicações sobre os primórdios destes povoamentos.
Todo o espólio está a cargo da Sociedade Martins Sarmento, responsável pelo Museu arqueológico de Guimarães e pelo Museu da Cultura Castreja, inaugurado em 2003.

Não houve tempo para visitar este último museu, cujo bilhete de 3€ de entrada na Citânia também dá direito à sua visita, que fica uns quilómetros mais abaixo, na mesma freguesia de São salvador de Briteiros, Concelho de Guimarães. Fica para mais tarde. Assim como o PR2 , a Rota da Citânia, que se cruza com o castro.

Casa do Conselho

Habitação

Sem comentários: